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Viva o dia nacional?

Hoje é 7 de setembro; feriado da independência, ainda que a mesma tenha custado caro demais e seja de certa forma irreal, mas isso é outro tema. Hoje é 7 de setembro e talvez as maiores instituições nacionais sejam a torcida do Flamengo e a Igreja Universal. Se eu estiver certo, então escolhi em cheio as duas instituições, ambas enormes, como o Brasil, mas também representantes de ídolos mais que em crise assim como o nosso amado país.

O Flamengo, outrora glorioso, temido e respeitado no mundo, é apenas uma sombra de si mesmo, nas mãos de empresários que sugam o clube até a ultima gota, e ainda há quem os defenda. A Igreja Universal, defende um Deus que se existir de fato, parece ter voltado as costas para o Brasil, (eu também faira o mesmo) e usa para isso meios que podemos considerar mais ou menos discutíveis do ponto de vista moral. Como o enriquecimento desmesurado dos seus fundadores.

Aproveitando a data comemorada hoje, eu faço a seguinte pergunta. Qual será a verdadeira identidade nacional hoje em dia? Seguem algumas reflexões minhas, puramente baseadas na minha visão do mundo, não tem caráter científico ou oficial.

Vejamos: Não temos guerras nem conflitos armados com o exterior, (embora nossa sociedade viva sob fogo cruzado), por tanto não pode ser o exército, e de fato não o é. Não temos mais um grande ídolo esportivo; visto que Pelé, Piquet, Guga, Zico e Senna, (cada um poderia adicionar os seus ídolos), já deixaram órfãos seus carentes seguidores não apenas no Brasil.

Não é um poeta, pois Caetano, Gil, Chico e outros já não lutam mais pela liberdade de expressão, talvez até mesmo se arrependam considerando o nível do que se canta por aí; são Tigronas, Lacraias, Popozudas, Tchecas, Pagodeiros, Tecnobregas e outras coisas do gênero que nem vale à pena lembrar para não entrar em depressão.

A pergunta ainda persiste. Onde está nossa identidade nacional? No nosso presidente que veio do povo? O homem humilde do interior de Pernambuco (Estado com um dos maiores índices de violência por arma de fogo do país), que perdeu um dedo quando era operário e desde então nunca mais trabalhou? Viveu apenas às custas do partido dos trabalhadores e suas suculentas mesadas ao ilustre presidente. Onde está a identidade nacional? Estaria ela no separativismo do Rio Grande do Sul? Que tem sua data nacional em outro dia? Que odeia negros e se considera apenas alemão, polaco e italiano? Como se isso os fizesse melhor que os outros, ha ha ha, desculpem, mas não posso conter a risada.

Estaria nossa identidate nacional na insistência paulistana, (que eu conheço muito bem, pois sou um hibrido de paulistano com nordestino), de culpar os nordestinos pelo caos em que a cidade se encontra, ignorando o fato que aquela cidade cresceu graças à mão de obra daquela gente, que ajudou a levantar a cidade tijolo por tijolo? Ou na incurável malandragem carioca e na insistência de dizer que está tudo bem e que a violência é coisa da mídia?

Onde está a identidade nacional? Estaria ela no painel fraudado, na ambulânica superfaturada, no avião presidencial, no valereoduto, nos vampiros, na maldade sem fim dos nossos políticos que roubam aos bilhões e gargalham do povo todos os dias impunes de seus crimes hediondos? Onde? Onde está? A impressão que tenho que a única coisa que nos une é a miséria, a roubalheira, a safadeza, a corrupção e o descaso.

Dividimos as derrotas e fazemos apenas nossas as poucas coisas boas que conquistamos. O "Sul" cresceu sozinho, e São Paulo cresceu sozinho, e o Rio ainda sonha com os tempos de vedete mundial, e esse Estado é o que mais produz soja, e aquele o que mais cresceu no último semestre, o outro o que mais investiu em segurança pública... e assim vamos puxando cada um a sardinha para um lado tornando cada vez mais frágil a suposta União.

Mas quando foi que isso aconteceu? Quando foi que deixamos de ser um país? Ou será que nunca fomos e eu apenas sonhei um dia que sou brasileiro? Será que sou jovem demais para entender os mecanismos que mantem ainda inteiro uma nação de dimensões continentais? Talvez eu seja ingênuo demais, e isso seja comum em uma confederação de Estados não é? Só me pergunto estado de que? Estado de sítio? Estado de calamidade pública? Estado de deseperança? Ah Brasil, eu queria tanto que fosses um país como o que eu sonhei prá mim. Onde as pessoas pudessem viver com dignidade e em paz. Mas eu acho que esse sonho ficará para o futuro... O Brasil é o país do futuro, e sempre o será.

Faço minhas as palavras de João Ubaldo Ribeiro; "O melhor do futuro é que eu não estarei nele."

Felíz 7 de setembro, mesmo que não tenhamos motivos para comemorar.

Ullisses Salles - 07.09.06
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 07/09/2006
Código do texto: T234575
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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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