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P E C H I N C H A


A pechincha, ou o pechinchar na aquisição de um produto ou serviço, é um costume que acompanha a história e o desenvolvimento comercial. Alguns governos, a exemplo do período Collor, no Brasil, instituíram esse processo, como forma de auxílio na sedimentação de um plano financeiro. Com uma economia frágil e os salários baixos,  que “se soltem os leões na arena”, ou seja, o povo que fique pechinchando por preços melhores; logicamente em relação a produtos e serviços privados, pois os encargos públicos sempre estão imunes à pechincha.
   Mais do que o posicionamento do autor, faz-se importante o questionamento proposto ao leitor. Sem surpresas, pois, o artigo pode estar mais recheado de interrogações do que “ais” na letra de um fado.
Ora, quando analisamos o significado de pechinchar, logo vemos que é um ato de regatear, ou de obter alguma coisa de forma imerecida e/ou inesperada.
Estaremos, ao pechinchar, ofendendo o vendedor, julgando que este colocou um preço abusivo no produto ou serviço que oferece? Visto por outro ângulo: o vendedor, sabendo que o adquirente vai pechinchar, já se protege, colocando o preço acima do necessário e, a partir da pechincha, desce a esse patamar? Pode-se depreender que, em existindo a pechincha, a desconfiança acontece?  Essas perguntas podem nos levar a algumas conclusões, independente de certas ou equivocadas. Arrisco uma: quando ocorre a pechincha, existe a insegurança. Nem o vendedor, tampouco o comprador estão seguros, confiantes. Se um produto ou serviço precisa ser vendido por 10 dinheiros, qual o motivo que o comprador busca para que o vendedor entregue por um preço mais baixo? Da mesma forma, o que leva o vendedor colocar esse mesmo produto a 11 dinheiros para, a partir da pechincha, “descer” o preço para 10? E se, por ventura, o comprador aceita pagar os 11 dinheiros pedidos, podemos atribuir desonestidade ao vendedor? O comprador, neste caso, seria um “trouxa”, um otário, ou até uma vítima?
Conforme acima escrevi, os questionamentos são mais importantes. Mas já citei a ocorrência da desconfiança quando a pechincha se faz presente. É a minha opinião, à qual agrego mais uma: quando consumidor, nunca pechinchei. Simplesmente faço uma pesquisa de preços ponderando a qualidade do atendimento, embalagem, comodidade e outros quesitos que tais, relativos a um mesmo produto. A partir desses detalhes, faço a minha compra. E quando alguém me diz: custa 10 dinheiros mas, para ti, eu faço por 9, eu me sinto como um verdadeiro idiota, pois poderia ter pago 10 por um produto possível de ser vendido por 9. Os produtos e serviços têm de ter preços bem definidos. A pesquisa e os detalhes determinarão a compra, sem a mesquinhez da “maledeta” pechincha.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 07/09/2006
Código do texto: T235036
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23329 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá