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D. SEBASTIÃO FALTOU AO COMPROMISSO

mais uma vez faltou pouco, seu moço. Mais uma vez  faltou muito pouco . D. Sebastião  esteve aqui , faz algum tempo . Veio inaugurar  a estação de trem .Sabe aquela construção  no final da rua? Pois é, ele esteve lá .E eu vi tudo , com estes olhos que a terra um dia vai comer . Sabe, não sou homem de letras .Mal aprendi  a assinar  o nome  naquele tal de MOBRAL , mas quando era pequeno, juro que vi D. Sebastião . Me contaram - meu pai  , que era vaqueiro  e tocador de boi- que D. Sebastião  tinha prá lá de trezentos anos , que um dia  pois na cabeça de liderar uma cruzada  para deter os turcos , como aquele do armazem (  mas ele é boa praça , não seria capaz de matar D. Sebastião ) lá na Àfrica .E ele foi  para um tal de Alcacer Quibir .Lá teve batalha , foquetório , muita morte. Eles perderam, e D. Sebastião não foi  encontrado. D. Sebastião voltou lá da Morte  para nos salvarr. Primeiro veio vindo do Sul, no meio de uma revolução , com seus soldados que diziam " só apearem no Obelisco!" Sei lá o que quer dizer isso. O presidente da época , que eles chamavam de " O paulista de Macaé" foi  saindo de fininho deixando D. Sebastião no comando. Vopces podem chamar ele de que quiserem, mas para mim ele era D. Sebastião . E olhou para nos, os pobres, fez leis ,  deu educação  e até entrou numa guerra  , que eu era muito pequeno para participar. Mas não é, seu moço que D. Sebastião esteve aqui para inaugurar  a estrada de ferro . Ia trazer  sorte, dinheiro, trabalho, gente . Nos todos estavamos nervosos  com aquele homem baixo  de paletó branco,  sem chapéu , acenando para todo mundo  com as mãos assim, meio abertas . Perto vinha um negão  duns dois metros  preto como a noite. Mas D. Sebastião foi embora depois da discurseira  e do corte da fita. Talvez voltasse outro dia ; mas não. Derrubaram ele , logo ele que disse que só tirariam  do Catete  o seu cadáver .E ele cumpriu o que oreometeu . Ficamos sem D. Sebastião. Teve um outro que diziam até que era filho natural do outro D. Sebastião , fez muita coisa , mas era dono de terras e os militares  chamaram ele de cumunista e que ele estava querendo fundar uma espécie de República Sindicalista  - seja lá o que  fosse aquilo. Vieram os generais  que fizeram algumas coisas  , como o MOBRAL eo Projeto Rondom, onde me diplomei , embora gostasse daquele outro, o Paulo Freire. Nesta altura já estava casado e com uma fieira de filhos , com uma chacarazinha  e ia levando a vida . Aí veio a tal Redemocratização e se elegeu um presidente  que nunca soubemos se era D. Sebastião, porque morreu  antes de tomar posse. Agora deixa me lebrar , teve aquele outro  cheio de empáfia  que  garfou toda a nossa poupança. mas também derrubaram ele. Teve o Topetudo . Achei que  com aquele topoete  ia enfrentar  os grandes , mas seu governo não fez muita coisa  , depois o doutor da Sorbonne . Com ele as coisas andaram bem , mas ele era como os outros, rico. Então apareceu o barbudo , gente como a gente  que ia mudar tudo  , acabar com a patifaria . Mas alguns amigos dele  se meteram num tal de Mensalão , e  ele se pegou muito no Fome Zero . Esqueceu o compadre Lua "  seu doutor uma esmola á um homem que é sáo ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão ". E este  D. Sebastião que podia fazer tanta coisa . Um dia disseram que vinha reinaugurar a estação de estrada de ferro. Todo mundo vestiu a sua melhor roupa de domingo. E era quarta feira . O prefeito já estava tomando agua para lavar a garganta  quando o trem chegou . Desceu um outro homem baixo, meio careca, disseram que era o vice-presidente. Até que foi educado e a duscurseira não foi tão grande assim. Mas ficamos decepcionados . Por isso eu digo , seu moço, vou por este D. Sebastião de volta , mas  que ele não esqueça do povo. Senão ...        
grotius
Enviado por grotius em 09/09/2006
Código do texto: T236365

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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