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COCANHA DOS MEUS AMORES

Deve ter sido esta a sensação de Cortez em Tenochtitlan. O primeiro contato com o Outro. O Eldorado naquele paraíso na Terra. Parecia um sonho . Até me belisquei  e senti dor. Ali estava a Terra prometida. a Cocanha  dos antigos,  Shangri-lá, Xanadú, a Terra do Nunca , Eldorado; qualquer  nome que quisessem  colocar Vahalla , Olimpo, Nirvana, Paraíso, Eden. Verdes campinas  á perder de vista , arvores que nunca deixavam  de dar frutos , animais  que não morriam, mas de quem podiamos  arrancar nacos e mais nacos de suas carnes . Lá estava a Àrvore do Conhecimento , como lá estava  o rio de onde nascem  o Tigre , o Eufrates , O Nilo, o Ganges. As arvores, os animais  a agua  as mais belas huris que qualquer humano pode ver .Parecia delirio , um sonho. Mas não era. Meu braço era prova disso . Mas não trazia o vergãob  que poderia ter deixado o beliscão . Seria efeito do ar?  da agua?  da libação  que me fizeram quando cheguei?  Os monges  silenciosos de roupão roxo  e turbante branco ( mais um pouco e  achei que veria Gunga Din) Depois fui colocado  em um quarto claro  e arejado , onde moças  quase nuas  trataram de me banhar ( onde estava EdY Lamar?) O som mavioso de uma voz  humana . A primeira que ouvira ali  desde que chegara , cantava uma música que parecia de Ketelbey , um mercado persa  ou algo do gênero . Se tudo aquilo fazia parte de um sonho, eu não queria acordar.
A amabilidadfe  daquele povo, confesso,  era quase irritante . Ali haviam  brancos, negros, mulatos , loiros , amarelos , todos cantando,  trabalhando, tricotando, fiando , cozendo , escrevendo, cantando.
Só um homem estava sentado  em uma posição védica , sem fazer nada . Sem soltar o mínimo  som. De olhos fechados , boca fechada , na contemplação  serena de tudo aquilo.
Claro, leitores , este homem  enxergava  por dentro e por fora  do seu ser, do nosso ser, de todos os seres . Ele era o único  que não fazia nada  , e que ninguem  impedia  aquele seu refúgio  em si mesmo.
Ninguem também sabia seu nome . Era Ele, simplesmente Ele.
E ali mesmo  naquela vila , que dei de chamar Cocanha , ninguem tinha nomes . Diziam  que era  o primeiro  sinal  da separação dos homens  e o primeiro sinal de nossa degreadação . Eles se chamavam sim, eram o Leitor, o Forjador, o leitor o Escritor e o Vedor.
Este era o nome  do homem que ficava  sentado virado  para uma parede  que não era uma parede .Olhando  uma paisagem  que não era paisagem  , como logo fui descobrir.
daquela questão de Confuncio  e da borboleta, que de tabto olhar e pensar na borboleta Confuncio não sabia se era Confuncio vendo a borboleta ou a borboleta pensando em ser Confuncio.,consegui entender  o Vedor. Consegui ver o não visto , sentir o não  sentido , cheirar o não cheiravel . Ver o passado  , o presaente e o futuro  no desenrolar constante do devir . A rosa  é uma rosa é uma rosa . Não  adianta descrever  a rosa , pois ela deixou de ser  rosa  no momento seguinte em quer olhamos , como a água  não é a mesma no momento em que  servimos do filtro, da garrafa ou da bica , como não é o mesmo céu , aquilo que observamos  todas as noites . É o passado , a união dos passados,  que se  presenteia  para o futuro , como Jano Bifronte  dos romanos- o deus do mes de Janeiro , que se metamorfoseia  em dois rostos  que são um só , como o passado  é o nosso passado  que ao se metamorfoserar  em presente  se transforma em futuro.
Agora eu sei . Agora posso fazer isso .Quando  a vida se anuncia  bruta,  bem lá no fundo , bem dentro do umbigo  , e mais além , há um mundo  de huris belíssimas , de brancos, negros , mulatos, amarelos e indios,  de monges e vedores , que vêem tudo , que conhecem tudo.
É lá  que posso enfim descansar  no tempo  que não é tempo , pois como  o tempo ido  se vai chegando  como presente  em direção ao futuro  que num instante já é passado.
E me desculpe o poeta , se me sirvo  de suas palavras :
Vou me embora para Cocanha / pois lá sou amigo do rei.        
grotius
Enviado por grotius em 09/09/2006
Código do texto: T236403

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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