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Padre Cícero e Lampião, “Rei do Cangaço”

Terezinha Pereira

Milagre sim, milagre não, no entanto, foram os milagres atribuídos a Padre Cícero que provocaram o início das  romarias rumo a Juazeiro, a partir  de 1899. Se  muitos não acreditavam nos milagres, havia a bondade e a sabedoria do sacerdote que atraíam os romeiros. Padre Cícero olhava para as necessidades espirituais e humanas das pessoas: dava conselhos práticos, arranjava empregos e, principalmente, fazia despertar a solidariedade comunitária entre as pessoas que haviam deixado o quase nada de sua terra para tentar um pouco mais do que isso na região de Juazeiro que, a partir daquela ocasião,  passou a ser  um “porto seguro” para quem fugia da miséria que dominava o nordeste. E,  foi então, que por alguns anos, Deus e o Diabo tiveram seus domínios na terra de muito sol e de quase nenhuma chuva: Padre Cícero, de quem muito já foi dito de santo e Lampião, que em muitos momentos fez a vez do Diabo.
Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, o Rei do Cangaço e seu bando,  formado de cerca de 50 pessoas, homens e mulheres,  percorreram  sete estados da região nordeste durante as décadas de 1920 a 1930, levando sangue, morte e medo à população do sertão. Conta-se que esse grupo tornou-se amigo de coronéis e grandes fazendeiros que lhe forneciam abrigo e alimentos e armas. Há indícios de que até o governo brasileiro daquela época, para lutar contra a Coluna Prestes, marcha de tenentes revoltosos comandados por Luís Carlos Prestes, ofereceu armas e recursos aos cangaceiros liderados por Lampião. Dizem, que os cangaceiros  entravam nas cidades, nos lugarejos e nas fazendas cantando. Se alguém do lugar  negasse o que eles pediam, eles revidavam: estupravam, matavam, incendiavam, destruíam as lavouras,  acabavam com o gado e outros animais.  Mas se, ao contrário, atendesse a seu pedido, organizavam festas e davam  esmolas e, por causa de suas doações, Lampião era até chamado de “Robin Hood dos pobres”.
Quanto ao relacionamento de Padre Cícero  com Lampião há várias  versões para   a história,   ligadas ao  famoso encontro dos dois.  Uma dessas   seria relativa ao fato de o sacerdote haver dado ao cangaceiro patente de   “Capitão do Exército”. Alguns contadores de história  afirmam que tal  proposta teria partido de um  aliado político do padre. Outros dizem que, de Padre  Cícero Romão Batista, Lampião ganhou mesmo foi um puxão de orelha pela vida desregrada do cangaceiro, que ainda exigiu que ele saísse de Juazeiro e deixasse  a vida de cangaço. Outra versão é a que conta que, na época da Coluna de Prestes, Lampião foi convidado a colaborar com o governo por intermédio do Padre Cícero, que lhe ofereceu a patente de capitão. Há  também quem diz  que  o cangaceiro esteve uma vez em Juazeiro, em 1926,  a convite de um deputado amigo do padre  e não   do próprio  padre Cícero e que nessa ocasião o sacerdote  pediu que Lampião se retirasse e se regenerasse, que ele não o queria em Juazeiro. Entre seus devotos há uma crença de  que padre Cícero recebia bandidos, mas para regenerá-los. ''O bandido tinha de trocar a arma pelo rosário'', seria a idéia do padre.
O que é de certo, nesse caso de Deus e Diabo na terra do sol,  é que Padre Cícero foi o maior benfeitor e a figura mais importante do nordeste. Quem fazia previsões de que, após sua morte, não mais seria lembrado, pode ver que se enganou. A cidade continua se desenvolvendo e a devoção também aumenta. Mesmo não tendo sido tornado beato nem santo canonizado pela Igreja, Padre Cícero é tido como santo pela  imensa quantidade de devotos espalhados por todo o Brasil, quiçá pelo mundo. Quanto ao Diabo, esse ainda anda por aí, disfarçado em legisladores, em administradores que costumam trabalhar a seus próprios favores........
Terezinha Pereira
Enviado por Terezinha Pereira em 11/06/2005
Código do texto: T23910
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Sobre a autora
Terezinha Pereira
Pará de Minas - Minas Gerais - Brasil, 66 anos
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