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ALICE E O PROJETO DO HOMEM TRANSGÊNICO

Alice anda tendo idéias tão estapafúrdias de querer mudar o mundo que eu ando pensando em mudar o nome dela. Da Alice, que vive num país de maravilhas, para o similar feminino do Américo Pisca-Pisca. Lembra? Aquele que cismou que tudo estava errado na Criação e achava uma injustiça frutas tão pequenas como jabuticabas grudadas em árvores e as pobres e enormes abóboras a se arrastar pelo chão. Até o dia em que dormiu debaixo de uma jabuticabeira e uma daquelas privilegiadas frutas lhe caiu sobre o nariz. Depois de ler o meu texto sobre a Mulher Transgênica, encasquetou que ia criar o Homem Transgênico.
E se tem algo que minha amiga tem de sobra é teimosia, que ela carinhosamente chama de determinação. Depois de muitas pesquisas sobre a natureza masculina e as dificuldades que as mulheres encontram em se fazerem entender pelo pessoal do outro lado, veio a primeira idéia luminosa:
- Acho que o jeito vai ser usar o esquema da Mulher Transgênica. No caso dela, você colocou-lhe um pinto na cabeça. Por que, com milhões de periquitas, não podemos fazer o mesmo com os homens?
- Peraí, Alice...botar um pinto na cabeça dos homens ia ser complicado. Por que, segundo as e os especialistas no assunto, os homens já pensam com o dito cujo. Aliás, dizia minha santa mãezinha: ”Quando a cabeça de baixo começa a funcionar, a de cima cessa o trabalho i me di a ta men te!!!
- Ai, ai...hellooooooo, tem alguém em casa, minha meiga? To falando de usar a idéia em sentido contrário. A gente bota a periquita, perseguida, xaninha ou seja lá o nome que preferirem, na cabeça dos rapazes. Quer dizer, o Homem Transgênico seria um homem com uma periquita na cabeça. Não é gênio?
- Alice, agora é minha vez...hellooo, tem alguém aí, debaixo destas mechas coloridas, nega? Qualquer um sabe que se há algo que MORA na cabeça dos homens é justamente a periquita....Nunca se tocou disso não?
Pronto! Enrolei os dois únicos neurônios ativos na cabeça da minha amiga.
Ela já tinha o projeto todo montado e eu melei tudinho. Se a dita cuja já mora na cabeça masculina, o que ia ser do projeto do Homem Transgênico. Mas Alicinha estava determinada a contribuir para a melhor compreensão entre o yin e o yang do mundo inteiro.
Não demorou muito e o Professor Pardal dentro dela voltou a funcionar. Lampadinha imediatamente se acendeu:
- Como eu não pensei nisso antes??? Que burra! O problema é que mulher vive dizendo que homem não tem sensibilidade,né?
- Isso lá é o que todas dizemos...e daí, qual a novidade?
- Sensibilidade é coisa do coração. Tá me acompanhando?
- Não sou tão lesa, né Alicinha...vai, segue...
- Então...meu Homem Transgênico vai ser um homem com um coração na cabeça!!!
Apesar das boas intenções da Alice, não podia deixar minha amiga tão iludida sobre o possível sucesso do projeto. Não, Alice, não funciona. Um homem com o coração na cabeça ia ser tudo, menos homem...e ainda ia passar pro outro time, o que nos prejudicaria enormemente, de vez que o mercado ia ficar muito ruim pras moçoilas. Assim, que o projeto do Homem Transgênico ficou pra outra. Ou quem sabe pra nunca. Melhor assim como está: dá um pouco de trabalho, mas com uma boa dose de amor e boa vontade a gente encontra um com metade do caminho feito e fica pra nós o trabalho de despertar o que ainda está adormecido dentro do objeto de nosso amor. No fundo, mulher gosta de ter trabalho.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/06/2005
Código do texto: T23915

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154025 leituras)
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Débora Denadai