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O PSIQUIATRA AMIGO MEU

Outro dia visitei um psiquiatra amigo meu, que entre outras coisas me falou sobre o amor, sobre os sentimentos do coração. Ele falou da simetria, da ideologia, discursou sobre o infinito de nós. Naquele momento até calou minha voz. Analisou os diversos ângulos sob nova ótica, nova visão, disse que os sentidos se renovam sem explicação, recrudescendo no interior aquela chama que arde nos momentos de solidão.  Eu não estava entendendo muito bem, mas o psiquiatra amigo meu sabe das coisas do coração. Até que ele fez um paralelo, onde o vértice da questão seria a sonhada equação dos átomos sentimentais que giram numa órbita elíptica de um músculo denominado coração, e contrapondo essa força estranha que gira em sentido inverso, estão os chamados nêutrons de ciúmes, que são sistematicamente bombardeados pela inércia da atenção, do afeto, contribuindo assim para a corrosão da estação da base do relacionamento. Agora sim! Não entendi mais nada mesmo, mas esse psiquiatra amigo meu sabe das coisas do coração. Confio nele, se ele ta dizendo...
Um tanto quanto timidamente, perguntei o porquê dele ser psiquiatra se conhecia tão bem o coração, acho que poderia ser cardiologista...Quiromancista, escritor, poeta, sei lá. Então o psiquiatra amigo meu respondeu que sendo o que era teria como dever de ofício conhecer os mistérios do coração, porque a maioria de seus pacientes o procurava depois de um amor mal resolvido, ou não correspondido, ou ainda quando era preterido (leia-se chifre). Concluiu ele que todas as doenças da cabeça vinham do coração, e numa interessante pesquisa observou que rigorosamente homens e mulheres estavam em absoluta igualdade.
Então o amigo perguntou-me do motivo de tê-lo procurado, se eu estava com algum problema de cabeça. Respondi que não, mesmo porque no momento estava sem mulher, estava só. Ele olhou-me profundamente, como se estivesse invadindo minha mente e disse que eu ainda amava minha mulher, porque estava escrito no meu olhar. Retruquei inconformado, dizendo ser besteira do amigo psiquiatra, porque não sentia mais nada, a não ser aquela dorzinha de cabeça, e este era o motivo de ali estar. Só uma dor de cabeça, nada mais. Que psiquiatra mais abusado! Mas é meu amigo.
Sendo assim, já que nem mulher tinha, ele disse que a dor não era nada demais e prescreveu uma receita, só estranhei o fato de no final estar escrito “e uma dose de olho aberto!” Como assim?
Naquele momento em algum canto da cidade, Angélica saia de um motel com ar de felicidade estampada em sua face.

                           FIM


ANDRADE JORGE
04/09/06

ANDRADE JORGE
Enviado por ANDRADE JORGE em 13/09/2006
Reeditado em 16/05/2014
Código do texto: T239489
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ANDRADE JORGE
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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