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Bomba relógio

Confesso que estou preocupadíssimo com a qualidade da atmosfera psíquica da nossa cidade, que não difere quase nada em relação às grandes metrópoles. Temos problemas tanto na saúde quanto na educação, no trabalho quanto no lazer, na cultura quanto na segurança.
Tudo isto é um reflexo do Brasil de todas as eleições, um termômetro indicador da nossa febre pela falta da ordem e do progresso ou uma bomba relógio prestes a explodir.
Já é possível imaginar Belo Horizonte dentro de Sabará em curto prazo e muito em breve sabarenses nascidos em BH.
Durante o dia, vejo no rosto de cada um de nós, o que mais se via nos anos 80: uma mistura de frustração com descaso e engodo, causados pela descrença política. Vejo a paisagem triste e empoeirada, embaçando o verde que compõe a linda paisagem da nossa cidade. Parece que o tempo por aqui sempre foi de estio, coincidindo com o âmago do que realmente somos e carecemos.
As únicas coisas que me deixam feliz e que me enchem os olhos de prazer, são os ipês que florescem, reluzindo feito luz no fim do túnel.
Quando anoitece somente Deus protege a cidade do vandalismo, dos homicídios, dos arrombamentos e dos espíritos trevosos em carne e osso. Apagam-se os ipês, ligam-se os alarmes, enquanto todos os gatos e ratos tornam-se pardos.
A impressão de que Sabará começa e termina na rua D. Pedro II não me sai da cabeça.
Sergio Pacheco
Enviado por Sergio Pacheco em 13/09/2006
Código do texto: T239624
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Sobre o autor
Sergio Pacheco
Sabará - Minas Gerais - Brasil, 58 anos
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