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A FRASE ME BATE Á JANELA

A mente em branco.O papel, a máquina, a tela do computador.Branco, silêncio. vazio. Nenhuma idéia , nenhuma cor. Lá fora a cidade pulsa em estrepitosa bagunça ordeira. Estrepitosa no som dos carros , nos anúncios de neon , nas conversas trocadas em bares, ruas , esquinas , lojas , cinemas . N mulher que apanha , no homem que bate . No homem que apanha calado  porque a vergonha  de macho ultrajado á de ser pior .No ribombar  dos rojões , no escapamento aberto , na freada , no miar do gato , no latido do cão , no apito do guarda , no tiro no meio da noite , no resfolegar  dos corpos nas camas  limpas ,  em camas sujas  , nas paredes , nos móveis , no escritório . No matraquear cansativo  das novelas da televisão , ou nas linguas mais estranhas  dos programas mais bizarros .A máqina de escrever manual  que alguem ainda mantem em funcionamento ; da podridão  e da freada do carro. Tudo é de certa forma ordeiro  dentro da desordem . Tudo é desordem dentro desta ordem das coisas . A mente em branco , o papel na impressora , a tela do computador  que agora traz um desenho  que se metamorfoseia  de estrela em bola  e de bola em estrela . Que dança bem diante dos meus olhos  indo aparentemente  aleatóriamente  da direita para a esquerda , de um lado para o outro . A janela fechada , a luz do pequeno abajur  deita em cima das teclas  o claro que não consegue deixar a minha cabeça . Pensar uma frase , uma palavra , uma virgula que fosse .Que tal um conto , um miniconto, um microconto com uma virgula e um ponto em cada canto da folha ; ou vice versa . Ou uma palavra , por mais estranha, estrambótica , infantil, como aquela palavra tão grande da Mary Poppins que não me lembro mais . O papel na impressoara  parace estar querendo me dizer para escrever ; o desenho na tela do computador é hipnótico e me chama para  dedilhar . As teclas do computador , enfileiradas  clamão para que eu as use .O som lá fora . É isso!  Quem sabe o barulho  , a zonzeira desta cidade  estranhamente barulhenta e calma  possa me dar  idéia  de algo. Destranco a janela e deixo  entrar a cidade . Ela entra  sem cerimônia, e a palavra , a frase , o efeito  me perpassa  como uma flecha .Era só  isso que precisava . Lewe por ter descoberto  um novo mundo , começo ZOEIRA DE CIDADE POEIRENTA . PÓ DE CIDADE ZAROLHA"    
grotius
Enviado por grotius em 15/09/2006
Código do texto: T241254

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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