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OS DESEJOS

Nunca se sabe as porcarias que vamos encontrar na areia de uma praia. Pode ser um cocô de cachorro, resto de espiga de milho ou uma carteira de cigarros vazia. Pode ser teoricamente qualquer coisa menos, é obvio uma garrafa com um gênio. Mas um dia desses, sentado numa cadeira a beira mar, vi uma loirinha tropeçar numa garrafa bem estranha que poderia sim, ser de um gênio da lâmpada. É claro que não era. Fiquei imaginando se eu tropeçasse numa dessas garrafas e como seria o nosso dialogo.
 - Meu amigo, agora que você me libertou, te concedo três desejos.
 - Hummm, deixe me ver... é sem limites? Qualquer coisa mesmo?
 - Qualquer coisa. Basta me pedir.
 - Tudo bem, então o meu primeiro pedido é que você me conceda 10 pedidos.

O gênio coça a cabeça, um pouco contrariado, e antes mesmo de dizer algo, eu me antecipo:
 - Não faz essa cara, você que disse: ‘qualquer coisa’!!
 - Sim, eu disse, mas...
 - Olha amigo, ou você atende os meus desejos ou te processo por propaganda enganosa.
 - Quê??? Como é que é?
 - Sim, e olha aqui ô... eu tenho um bom amigo advogado.
 - Não, não, não... eu perguntei o que é ‘processar’. Faz tempo que to preso nessa garrafa, ando meio desatualizado.
 - Ok, esquece. Vai atender meu primeiro pedido ou não?
 - E tem outro jeito?
 - Melhor assim. Bem, como meu pedido na verdade inclui dez pedidos vou fazer uma listinha. Isso pode demorar. Você tem e-mail?
 - ...
 - E-mail, internet...!! Vem cá, à quanto tempo você ta dormindo, heim?
 - Não sei, mas o último sujeito que eu atendi era um tal de Noé.
 - Ta, vamos resumir essa conversa. Vai anotando aí os meus dez pedidos: eu quero aprender a fazer ovo frito com a gema molinha, eu qu...
 - Como é que é? Você ta louco?
 - Ué, não tenho direito de ter meus desejos?

O gênio nem responde. Só faz um sinal pra que eu continue, sem paciência.

 - Bem, eu quero também conseguir sempre pegar bichinhos de pelúcia naquelas maquininhas e parque de diversão.
 - Peraí, você ta me gozando?
 - Nunca falei tão sério! Você sabe o que é sempre gastar a ficha e nunca, eu disse NUNCA conseguir pegar um misero ursinho?

O gênio senta na minha cadeira de praia e põe as mãos na cabeça. E eu, continuo falando...

 -Ah!... eu quero também que os secadores a ar quente nos banheiros públicos sequem minha mão ao invés de só queimar meus dedos... hummm deixe-me ver...

Nesse instante, o gênio sai correndo e entra na garrafa, sem nem dar tchau.
Não se fazem mais gênios como os das histórias de antigamente.
Martins Filho
Enviado por Martins Filho em 13/06/2005
Código do texto: T24271
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Sobre o autor
Martins Filho
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 38 anos
52 textos (5958 leituras)
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Martins Filho