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COMO ERA NAMORAR ANTIGAMENTE

A grande diferença entre as épocas,
é antigamente ficava-se namorando,
e agora, namora-se "ficando"...
Osculos e amplexos,
Marcial

COMO ERA NAMORAR ANTIGAMENTE
Marcial Salaverry

A evolução do mundo, a marcha desenfreada do progresso tecnológico provocou uma revolução tão grande e tão rápida em nossos usos e costumes, que até assusta.
Gente que falava ao telephone, hoje fala em icq. Um telegrama, que era o meio mais rápido de comunicação, levava dias para chegar ao destino... hoje, via e-mail, comunica-se em questão de segundos com qualquer parte do mundo.
Coisas do progresso que chegam a assustar. A evolução dos costumes foi generalizada. Tudo em nossa vida mudou. Principalmente em questões de relacionamento humano... Realmente as mudanças ocorridas assustam.
Sobretudo no que diz respeito ao namoro... Ah!!! Como era romântico e gostoso o namoro antigamente.
Vamos tentar recordar...
O melhor lugar para se conhecer garotas era o salão de baile. Principalmente os famosos Bailes de Formatura. Pasmem, os rapazes não podiam ir de bermudas... Era exigível o smoking. Quem não souber o que é isto, pergunte a alguém de mais idade na família, que ele saberá explicar...
Então, era aquela manobra. Durante as primeiras danças, os rapazes observavam as moças, e vice versa. Olhavam-se, tentavam captar algum sinal de aceitação. Aí então, quando era notado algum piscar de olhos, ou algum sinal de assentimento com a cabeça, tirava-se aquela moça na próxima dança.
Conseguir colar o rosto era algo para ser conseguido após algum tempo de conhecimento. Dançava-se sempre com uma ligeira distancia separando os corpos... em havendo alguma atração, chegava-se a um roçar de corpos, mas nada muito abusado.
Depois do baile, uma luta para a famosa troca de telefones. E no dia seguinte era aquela ansiosa expectativa para ver o ansiado telefonema acontecia. Marcava-se um encontro para ir a um cinema. No início do namoro, quando muito andar de mãos dadas, o que já era sinal de havia
uma atração. Ia-se ao cinema para assistir ao filme. Beijar a mão já seria considerado abuso. Claro que assim eram os princípios de namoro com as “moças de família”. O namoro tinha que pautar pelo respeito, e sempre com acompanhantes.
Um passeio ao Zoológico, teria que ser comboiado por quase toda a família. Para um baile, sempre teria que ter a presença de alguém “mais velho” junto da moça. Sair a sós com o namorado, nem pensar. O único programa eventualmente tolerado sem companhia era o cinema.
Para mostrar que tinha “boas intenções”, o que seria condição “sine qua non” para o prosseguimento do namoro, seria conversar com os pais da moça, e começar a namorá-la
em casa.
Então, era aquela aventura, apresentar-se ao pai da jovem e, mortificado, ter que responder a um questionário completo sobre condições de vida, e explicar que intenções tinha. Devidamente aprovado pelo “Conselho Familiar”, então poderia começar o namoro, sempre em casa. Comportadamente sentados em um sofá... Cada um em uma ponta... e sempre a presença de algum ou alguns familiares pela sala. Interessante que sempre alguém tinha algo para fazer naquela bendita sala quando se estava namorando. Algumas vezes arriscava-se um beijinho, pois ninguém é de ferro, mas tinha que ser meio rápido, para não ser surpreendido.
Sexo? O que é isto? Somente após o casamento. Muitas meninas iam para a famosa “Lua de Mel”, sem sequer saber para que serviam determinadas partes da anatomia de seu corpo... Do corpo masculino então, nem falar...
Era um namoro essencialmente casto. Normalmente arrastava-se por anos de namoro. Os rapazes tinham seus meios de desafogo, mas as moças... tinham que se preservar para a noite de núpcias, quando então teriam desvendados todos os segredos. Se não estivesse virgem, já seria motivo para anulação do casamento.
Era outra época. Havia mais respeito em todos os sentidos, e não apenas do homem pela mulher. Mas que era um namoro complicado, lá isso era... Era outra educação, outra maneira de pensar.
Marcial Salaverry
Enviado por Marcial Salaverry em 12/08/2010
Código do texto: T2433082
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marcial Salaverry
Santos - São Paulo - Brasil, 75 anos
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6 e-livros (2083 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/11/14 08:19)
Marcial Salaverry



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