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Raramente um jovem de menos de vinte anos tem bom senso. Devo ter visto um ou dois com este dom nos últimos anos. Quem paga o pato? Casais com filhos recém nascidos que moram em apartamentos. Incluo-me nesta lista.

Não sei o que meus vizinhos fazem, mais sei que o filho deles fuma maconha e é fã do Ozzy Osbourne. O cara escuta aquela barulheira o dia inteiro. E o pior, quase todo prédio tem que escutar com ele. A única hora que sinto falta daquela agressão sonora é quando ele resolve tocar guitarra. É incrível a sintonia que ele tem com a Alana, minha filha de seis meses. Ele começa a tocar e ela começa a chorar. Ambos desafinados e irritantemente agudos. Não descobri se ela chora por que não gosta do que ele toca ou se é por que ela gosta de Ozzy. Preferiria o silêncio a qualquer um dos três.

Converso com ele quase que diariamente. Tentei falar com o pai e a mãe dele, mas nenhum dos dois pareceu se comover com a minha história. Chego em casa para almoçar meio dia, tenho duas horas de almoço. Suponho que ele volte da escola a uma, é a hora que o som começa, e a fumaça sobe. Tudo bem, na hora do almoço eu tolero. Afinal, é uma da tarde, ele é jovem, tem que se divertir. Além do que, as reclamações da Alana esta hora são problemas da babá.

No final da tarde a coisa começa a apertar pro meu lado. O som está alto, parece que tem alguém fumando um baseado na minha sala, e a Alana começa a ficar inquieta. Ai eu ligo pro porteiro e peço para ele comunicar o apartamento ao lado que o som está incomodando o vizinho. Mas reclamação nunca surte o efeito esperado. Ai umas oito horas eu começo em pensar em por a Alana pra dormir. Antes bato no apartamento ao lado. Ai ele sempre abre a porta com aquele jeito de mongo, chapado, com a boca meio aberta e o olhar de espanto e diz: “desculpa cara, já sei o que você quer, vou abaixar o som”.

Volto para casa. O som da uma parada. Acho que ele aproveita este tempo para assistir televisão. Ai, cerca de uma hora depois, menos de dez minutos depois de eu ter conseguido fazer a Alana dormir, ele liga o som de novo, e antes do término da primeira música, minha filha começa a reclamar.

Já faz seis meses que a trilha sonora da minha vida é Ozzy Osbourne. Resolvi me vingar. Comprei um CD do Bruno e Marrone. Toda vez que não escuto o som dele, ponho o CD e ligo no último. Viro as caixas para o apartamento dele e saio para dar uma volta com a Alana, para poupar nossos ouvidos. Depois de uma semana o encontrei na frente da minha porta quando voltei. Ele queria que eu abaixasse o som. Comecei a rir, e entrei em casa. Até minha filha pegou o espirito da coisa e começou a rir. Religuei o som, coloquei no repeat, esperei minha mulher chegar, e fomos todos dormir em um hotel.
Eder Capobianco (Antimidia)
Enviado por Eder Capobianco (Antimidia) em 18/09/2006
Código do texto: T243622

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Sobre o autor
Eder Capobianco (Antimidia)
Assis - São Paulo - Brasil
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