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UMA DESILUSÃO


Visitando minha terra natal bateu-me uma vontade grande de rever os lugares onde passei minha infância.
Guardo na memória recantos maravilhosos onde samambaias e avencas formavam cortinados verdes.
Sempre reluto em rever aqueles lugares porque sei que tudo está mudado.
Hoje me armei de coragem e fui.
Tudo está tão abandonado que nem tivemos dificuldade em passar a cerca para adentrar na chácara. Ela está toda quebrada mesmo.
O que posso dizer de um moinho que alimentava a vida e hoje é só um casebre em ruínas...
Alguns anos atrás eu estive lá e escrevi sobre o antigo moinho.
O que encontrei hoje foi ainda mais deprimente que da outra vez. Não resta quase nada daquele tempo, só umas paredes que se mantém de pé. Não há mais a roda, o fio de água que movia a roda.
O riacho que passa próximo ao moinho foi canalizado em alguns trechos e um pouco desviado o seu curso.
Eu me lembro bem que o leito dele não corria da forma que corre agora.
Fiquei parada ouvindo o som da pequena cachoeira. Um cheiro forte e desagradável veio me recordar o tempo em que brincávamos nela.
Era um riacho de águas límpidas, rodeado de amoreiras e bambuais.
De vez em quando um de nós era queimado por uma taturana nas folhas das amoreiras.
A pinguela já não existe e conservo-a intacta em minha memória.
O caminho limpo onde abundavam coqueirinhos ao redor, também não existe mais.
Minha mãe e eu ficamos um tempo paradas naquele lugar do passado, com os olhos buscando o que guardamos dentro de nós mesmas.
Cada qual com suas recordações.
O que nos doeu mais foi o abandono que encontramos naquele lugar.
Obviamente que não vimos tudo, só os fundos da chácara porque não havia como atravessar o riacho já que não existe mais a pinguela, nem uma ponte.
Gostaria de ter visto a casa onde nasci, os ranchos onde brinquei tanto, o velho paiol de milho. A casa eu sei que ainda existe e foi reformada. Os ranchos não me informaram se estão de pé. O paiol me parece que foi demolido.
O que vi lá e amei foi uma castanheira imensa. Foi plantada depois que nos mudamos, nós pudemos ver as jabuticabeiras por toda parte e o arvoredo esconde os recantos onde eu adorava estar.

SONIA DELSIN
Enviado por SONIA DELSIN em 21/09/2006
Reeditado em 25/03/2011
Código do texto: T245469

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Sobre a autora
SONIA DELSIN
São Carlos - São Paulo - Brasil
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SONIA DELSIN