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            Sobre o meu nome


        Rel
er Rachel de Queiroz é uma delícia. 
          Faço isso sempre, dando preferência às suas crônicas.  Contei em algum lugar deste site, que leio as crônicas da Rachel, desde que ela as publicava na revista O Cruzeiro, do doutor Assis Chateaubriand.
   Depois deste pequeno preâmbulo, é justo que o leitor pergunte o que tem a ver Rachel de Queiroz como o meu nome. No final, respondo. 
    Quero dizer, que a saudosa escritora cearense fazia questão de que o seu Rachel fosse escrito com - ch
    Chamou de mal-educados os que insistiam em escrever Rachel sem o ch ou, simplesmente, Raquel. "Detesto", foi a palavra que ela usou em uma de suas crônicas para expressar sua repulsa. 
   Mas há celebridades - e aqui me restrinjo somente a área da literatura -, cujos nomes geram dúvidas na hora de serem grafados.
    Pelo menos enquanto a gente não se familiariza com sua biografia ou tornamos rotineiro o manuseio de sua obra.
    Ruy  Barbosa, por exemplo. Já surpreendi gente graúda escrevendo o nome do  jurista baiano com - i, Rui, quando o correto é  Ruy, com y;  exatamente como escrevia o valoroso tribuno da Boa Terra.

   Vez em quando, fazem-me esta pergunta: "E você, é com e, ou é com i? É Felipe ou Filipe?" Respondo, sem tergiversar, que sou Felipe com e.
   Estabelecida a polêmica, busquei, nos compêndios, um pouco da história do meu nome.
    Confirmo que vem do grego  Philippos (de philos + hippos, amigo dos cavalos).  
     Divagando um pouco, devo ressaltar, que a tradução do meu nome - amigo dos cavalos  -, não coincide com o que mais gosto no reino animal: os passarinhos. 
     Nem pelo turfe, onde rola uma dinheirama e desfilam esplendorosas mulheres, me entusiasmei. Não conheço um só hipódromo, inclusive, o da Gávea, o mais famoso do Brasil. Vi-o, por acaso, do alto do Corcovado. E não me animei a visitá-lo.
     Sou até um cavaleiro frustrado. Na minha juventude, vivi uma experiência desagradável, como vaqueiro improvisado.
     Num dado inverno, vesti um gibão de couro, e, nas matas da fazenda Morada Nova, no interior do Ceará, saí em perseguição a uma vaca recém-parida.
      Apesar de montar um cavalo afeito às grandes vaquejadas, deixei a vaca Marola fugir e desaparecer no denso matagal.
      Durante horas, fiquei perdido na caatinga, onde predominava a unha de gato, um arbusto perfurante e hostil.  
     Ao invés do meu aboio, o que se ouvia, quebrando o silêncio de uma nublada tarde sertaneja, era o meu grito pedindo socorro.
     Um vaqueiro que passava na vereda mais próxima, pouco antes de anoitecer, tirou-me da enrascada em que me metera.
     Tão apavorado fiquei, que nem notei que estava a poucos minutos do curral da fazenda.
      Agora, a minha resposta. 
      Como Rachel, que, como disse, não queria seu nome sem o ch, também exijo o meu, com e: Felipe e não Filipe. 
     Assim meu nome está no meu Batistério; na minha Certidão de nascimento; na minha Carteira da Ordem dos Advogados do Brasil; no meu Cadastro de Pessoa Física - CPF; na minha Carteira de motorista, e no meu Título de eleitor, arquivado - graças a Deus - desde o último pleito.
    Espero, que assim ele também conste - ah! não poderei conferir - da minha Certidão de Óbito.
    Mas, afinal, que interesse pode despertar uma crônica como esta; que rabisquei num final de noite, com os olhos e as mãos já bem cansados? Nenhum, com certeza. 
   Só pode ter sido coisa de  gente que não tem mesmo o que escrever. Pelo menos por tê-la publicado, peço desculpas ao distinto leitor.



 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 21/09/2006
Reeditado em 23/08/2013
Código do texto: T245884
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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