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ALMAS GÊMEAS:UMA BASE CIENTÍFICA

Os dois eram almas gêmeas ao contrário. Ela, mística, rezadeira, faladeira, e quando entrava numa briga, era boa de barraco. Ele, ateu, agnóstico, tudo com explicação devidamente fundamentada pela ciência, e se tinha briga, corria para o lado oposto. Almas gêmeas perfeitamente opostas. Entraram na vida um do outro sem saber que estavam entrando. E quando se deram conta, cada um já estava convenientemente instalado no espaço mais confortável de cada alma. Se é que tinham uma, de acordo com as teorias dele.  Mas em uma coisa concordavam: algo muito sério acontecia quando as águas profundas do rio dos olhos dela invadiam silenciosamente o mar dos olhos dele. A frase terminou virando um mote para os dois. Um amuleto, um segredo só dos dois.
Tem um autor aí que ganhou muito dinheiro e prêmios dizendo que quando você deseja algo, o universo todo conspira a favor. Ela até acreditava nisso. Teoricamente. Ele, nem teoricamente. E todos os universos das redondezas começaram a armar um pandemônio dos diabos. Não, não e não. Seria porque eram almas gêmeas opostas? Se fosse, era só tirar uma palavra. Não daria certo. Gêmeas, estas almas não seriam jamais. Até porque ele sempre fez questão de lembrar que ninguém provou até hoje que a tal da alma existe, quanto mais gêmea.
Houve um longo período de céus tenebrosos, inundações lacrimosas e como a Arca de Noé nunca existiu, de acordo com as possibilidades científicas, o  máximo que se podia fazer, era cada um ficar em sua toca. Até que passasse a tempestade ou até nunca mais, cujas probabilidades matemáticas eram mais facilmente comprováveis.
Estranhamente, ele não acreditou nas probabilidades. De acordo com seus próprios cálculos, havia uma enormidade de boas chances. Ela, estranhamente, não botava muita fé naqueles cálculos, dadas as previsões meteorológicas e o exército do outro lado.
Mas eram almas opostas. E a ciência é clara: os opostos se atraem. Finalmente uma base científica! Almas ou não, mas opostos. E continuam juntos.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 14/06/2005
Código do texto: T24596

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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