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DESABAFO


Sábado de sol, céu azul, minha amiga eu resolvemos passar o final de semana na praia. Jogamos as mochilas no carro, ligamos o rádio e a boca também. Lá pelas tantas, tocou uma música  e minha amiga, ao ouvi-la,  emudeceu de repente.

Esta é a  maior poesia da língua portuguesa --  exclamou.
Fiquei pateta, pois não escutava verso nenhum. Pediu silêncio e que eu ouvisse. Ouvisse o que? O ruído lá fora dos carros passando, dos ônibus lotados , dos caminhões que de tão veloz que passavam balançavam nosso carro?

Foi quando me chamou atenção a música que tocava. Ela dizia naquele exato momento:
“Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem,
As rosas não falam.
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti.”

Senti uma grande amargura em seu coração e deixei que desabafasse, pois sabia que sofria pela perda de um amor que julgava ser eterno.

Disse-me, então, que pensava em morrer como o seu maior desejo: “a morte parece ser tão doce,  como o passar das mãos carinhosas de minha mãe pela minha cabeça,  para eu dormir.  E sob essa mão tão meiga  e carinhosa, sossegava as  memórias das coisas ruins, que então iam se apagando’.

Achava que assim ficaria tudo tão perfeito, que seu espírito se deteria por um instante junto àquelas rosas para sentir sua própria suavidade e então seria muito bom morrer.

Senti-me perdida. Uma angústia se apoderou de mim diante de tamanho desespero.
Como acalmar um coração tão aflito, quando a razão deu lugar à emoção desenfreada  ditada pela dor?

Finalmente, veio-me a inspiração, provavelmente soprada pelo meu anjo da guarda, disse-lhe que essa não era a solução.

Deus sempre sabe o que nos reserva e para que nos criou.
Só o tempo como o melhor remédio resolverá todas as nossas apreensões.

Amanhã será um novo dia, nunca perca a esperança, porque uma porta pode se fechar, mas muitas outras se abrirão.

 

Pietra
Enviado por Pietra em 24/09/2006
Código do texto: T247845
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Sobre a autora
Pietra
Curitiba - Paraná - Brasil
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