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F U R A - B O L O

 
Última semana de setembro. Domingo, 01/10/2006, os brasileiros terão mais uma oportunidade de escolher o Presidente da República. Com o advento das urnas eletrônicas, entre em cena o herói, ou vilão: o fura-bolo, nome dado ao dedo indicador. Aquele que apertará a tecla verde, a tecla confirma. Dele, e somente dele, do fura-bolo, dependerá o jogo da esperança, o jogo da  frase das épocas de eleições: “Por um Brasil melhor”. (Melhor para quem?).
Quarenta e cinco dias de propaganda eleitoral. Esse foi o tempo que tivemos para a nossa decisão. Ou melhor, que os candidatos tiveram para tentar nos influenciar. Eu lamento não existirem, nas urnas, duas outras teclas: uma com a palavra paraíso, e outra com a palavra cadeia. Todos prometem o paraíso, tecla ou espaço jamais encontrado pelos fura-bolos. Quanto a tecla cadeia, bem, esta não poderia mesmo existir. Os eleitos têm imunidade.
Ah! Fura-bolo. Onde andam os tribunos que te deixavam em riste, na defesa da pátria, da honra e da moral? Te vemos hoje, fura-bolo, em riste, salvo raras exceções, em mútuas acusações inconcebíveis e inconseqüentes, pois não somente a tecla cadeia inexiste, como a própria jaula para indesejáveis contendores. Certa feita, fura-bolo, foste utilizado no Painel Eletrônico de forma fraudulenta. Pois saibas, as azêmolas reconduziram teu senhor ao Senado. É, fura-bolo, a tua missão vai da ânsia ao desrespeito, da confiança e expectativa ao desânimo e à frustração.
Contudo, dá-nos mais uma grande oportunidade, neste primeiro de outubro/2006. Tal qual um guri, que enfia-te no bolo recém feito, e sai comemorando a vitória, a chupar-te gulosamente, quiçá possamos, povo brasileiro, calcar a confirma de maneira racional, para que igualmente possamos nos lambuzar de  esperança, aquela do tal “por um Brasil melhor”.
Sei, sei, caro leitor, as opções são escassas. Contudo, um dia antes, vá para frente do espelho e, com teu fura-bolo em riste, pergunta a tua imagem quem realmente és. E qual o candidato que mais se aproxima do teu pensar. Só não comete o disparate de votar em branco, elegendo, indiretamente, o vencedor. Dá dignidade ao teu fura-bolo. Esgrima com as idéias e ações antagônicas, praticando um ripostar de brasilidade, a começar com a tecla confirma.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 25/09/2006
Código do texto: T248997
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23329 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá