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M A N G U E I R Ã O

 

Mangueira, vocábulo que, além de identificar uma árvore frutífera, pode designar um tubo flexível de plástico, borracha ou outro material, para a condução de ar, água ou outros combustíveis líquidos. Lembra, ainda, a famosa Escola de Samba, do bairro do mesmo nome, na cidade do Rio de Janeiro. Em termos campeiros, significa um curral espaçoso para a contenção dos animais. Nas banheiras carrapaticidas existem dois pequenos corredores, ou bretes, um em cada ponta. São construídas duas mangueiras, uma em cada ponta dos bretes. Na primeira mangueira o gado é concentrado para o trabalho da peonada, que consiste em “embretar” o animal, fazendo-o cair na água da banheira. Na mangueira da outra extremidade o gado já banhado é mantido preso por algum tempo, evitando que se disperse no campo; dessa forma é evitado que o animal entre de imediato numa lagoa ou açude, o que poderia neutralizar o efeito do carrapaticida.  Existem, também, mangueiras de gado nos matadouros. Diferentemente da anterior, o “corredor” desta leva o gado à morte.
O escritor deve passar a seus leitores os seus sentimentos, a sua visão, a sua capacidade de observação e comparação dos fatos, imaginativos ou reais. Agindo assim, proporcionará, pela leitura dos seus artigos, que outras pessoas tenham a oportunidade de analisar, discordar ou concordar com o escrito.
Na semana passada, meio a contragosto, fui a um Shopping Center. Só este enunciado já me causa mal. Por que não se diz um Centro de Compras. Ah! Deve ser porque temos de globalizar, mandando às favas a nossa própria língua, a própria cultura. Visitei dezenas de lojas e recantos e não encontrei um só logradouro ou casa comercial que se identificasse com a cultura gaúcha ou mesmo brasileira. É a unificação, ou globalização, de um sistema de compras que mata a raiz da espontaneidade local, impondo que alguns privilegiados, que conseguem locar uma lojas nesses lugares, comercializem dentro dos padrões pré estabelecidos. Que se danem os pequenos e médios comerciantes de arrabaldes, vilas e periferia, que lutam contra a falta de segurança, iluminação inadequada e outras condições. É no Shopping que o consumidor deve “morrer” (comprar).
Embasado nesta observação, fiquei imaginando e comparando um destes Centro de Compras como sendo um mangueirão, para onde o gado (povo) é atraído para o abate (compras).
Mangueirão e Shopping Center: legítimos sinônimos. No primeiro são abatidos indefesos animais. No segundo, são atraídos seres humanos, para a prática do consumo.  No início da história gaúcha pós descobrimento, os padres “protegiam” os índios em reduções jesuíticas. Depois vieram as cercas e os aramados. As cidades ganharam edifícios. E hoje surgem os Centro de Compras. Definitivamente, o nosso destino é coexistir em mangueirões.
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 26/09/2006
Código do texto: T249564
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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Cláudio Pinto de Sá