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GERAÇÃO 'COOP NOODLES'

"Somos os filhos da revolução / Somos burgueses sem religião / Somos o futuro da nação / Geração Coca-Cola / Geração Coca-Colaaaaaaaaa ohohoooooooo."

Essa tal geração Coca-Cola, que a Legião Urbana aclamava em sua música há muitos anos atrás, era a geração que desafiava um país que ainda vivia às sombras do regime político. Foi uma geração que desejava o embate pelas causa sociais, mesmo que o confronto viesse a ser literal. Geração do deboche inteligente, do espírito moleque bom malandro, geração que lia livros dos grandes pensadores, geração da consciência política, era a geração que representava o futuro da nação. Era a geração que pediu diretas já, era a geração da cara pintada, do Impeachment, a mesma geração que lá na China brigou na praça da paz celestial.  A geração Coca-Cola se plantava na frente de tanques de guerra, se fosse preciso.
A geração do 'era'.
Hoje, de tanta Coca-Cola, esta geração está cheia de celulite na bunda e os dissidentes que sobraram (gordos e com um pneuzinho saliente) acabaram engolidos por movimentos sem importância alguma para o ‘futuro da nação’.
Nos ultimos tempos, tivemos alguns movimentos ditos revolucionários que poderiam ter sido mais produtivos para o 'futuro da nação', como o MST, que por fim acabou caindo na mão de um grupinho de baderneiros. Virou política.
Porém, carente que sou de rótulos, resolvi entender o cenário atual e renomear a geração atual. Se o Renato Russo fez isso, eu também posso. Para encontrar um nome digno dos tempos em que vivemos, precisei, é claro, saber dos sintomas sentido pela geração que se apresenta.
A geração CocaCola desafiava um regime de governo – a atual foi enrolada por um marasmo de CPI’s, medidas provisórias, 'Lalaus' e taxas de juros. A geração Coca-Cola desejava o embate pelas causas sociais -  a geração atual briga em Florianópolis por pretexto de passagem de ônibusmasi barata. A geração Coca-Cola era debochada, inteligente e moleque – na atual só restou o ‘moleque’ que vai a bailes funk e em geral, nem sabe quem é o Tom Zé, nunca ouviu Lenine nem leu a Lya Luft. A geração Coca-Cola lia livros dos grandes pensadores – a geração atual prefere o Senhor dos Anéis. A geração Coca-Cola pedia diretas já – hoje se fala em retirar a obrigatoriedade do voto.
Por isso eu pergunto: pra quê aquele barulho todo nos anos 80? Algumas mudanças ainda permanecem e continuam nos fazendo muito bem, é bem verdade, mas se é pra deixar a maionese desandar, então, companheiro, tô fora: vou enrolar minha faixa, não pinto mais a cara e não faço mais piquete nenhum!
Um rótulo bem adequado para esta geração é o de “Geração Coop Noodles” - aquela sopinha no copo.
Barata, descartável, sem nutrientes e não raro, queima a língua.
Você a prepara em 3 minutos e depois a come em menos de 1.
Martins Filho
Enviado por Martins Filho em 16/06/2005
Código do texto: T24966
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Sobre o autor
Martins Filho
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 38 anos
52 textos (5958 leituras)
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Martins Filho