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S E M C U R S O

 
  Há algum tempo, a imprensa do mundo inteiro noticiou o nascimento do hexabilionésimo ser humano, ainda vivo. Comparando-se os dados oficiais de l970, é possível  a percepção da espantosa explosão demográfica; se ações em níveis internacionais não forem tomadas, em menos de 50 anos a Terra terá 10 bilhões de habitantes. Estimando-se que apenas dez por cento das pessoas vivem em situação considerada aceitável, e que vinte por cento vivem na mais absoluta miséria, temos um contingente, hoje, de aproximadamente quatro bilhões de pobres no mundo que, com boa vontade, poderiam ser subdivididos em classes: baixa, média baixa, média, etc.
A natalidade inconsciente e irresponsável é, sem nenhuma dúvida, a grande aflição de todas as nações. A indagação que se apresenta é: a quem pode interessar esse aumento despropositado de habitantes? O nosso planeta ainda tem recursos, todavia a poluição grassa, enquanto os governos grulham.
Joaquim José da Silva Xavier, personagem marcante da história do Brasil, tinha o posto de alferes no exército imperial. Porém, foi por meio de uma atividade paralela (correspondente à odontologia), que ficou conhecido; como era um prático dentista, o chamavam de tira-dentes. Hoje os práticos já não mais existem, pois é necessário cursar-se uma faculdade para o exercício dessa e de outras tantas atividades, que resultam em profissões.
Existem duas situações, entre outras, para as quais faço um destaque especial, e que careceriam de cursos de formação: político e pai. Qualquer pessoa que esteja em dia com a justiça pode se candidatar a cargo eletivo; não é necessário um curso de formação específico para vereador, deputado, etc. Basta ter  dinheiro ou ser muito influente numa comunidade e aí está mais um candidato, com amplas possibilidades de ser um representante do povo. Nos moldes atuais, pouco importa se o eleito tenha conhecimentos específicos da função que passará a desempenhar. Com a paternidade não é diferente. O advento da liberdade de ação e expressão, que em certos casos poderia ser chamado de liberalidade e que atinge a todas as camadas sociais, agregado ao sofrível nível cultural de considerável parcela da população e ainda ao verdadeiro exército de pessoas com baixo poder aquisitivo, está gerando uma população de pais sem nenhuma capacidade de dar um encaminhamento condizente com os princípios éticos e morais que deveriam nortear qualquer família que, lato senso, parece aos poucos dizimar-se.
Todas as pessoas em condições de procriar deveriam ser obrigadas a fazer um curso adequado, não restrito ao fim biológico, pois para isto a natureza é sábia, mas capacitando-se a uma correta criação. Para centenas de atividades é obrigatório um curso. Para a procriação, não. Algo está errado. Curso de pais já!
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 28/09/2006
Código do texto: T251786
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23326 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá