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MERGULHO NO AMOR COM A CEGA CONVICÇÃO DOS SUICIDAS

Há uma certa aproximação  perigosa  entre os enamorados  e os suicidas. Os dois  tem certeza  do que pretendem  fazer, ao  mesmo tempo  em que estão  obnubilado  pela razão . Os dois  juram que estão  em seu juizo  perfeito, mas  não se frustram  a praticar  os maiores desvairios. São capazes  de atos de bravura que sequer  o mais corajoso dos homens  seria capaz de fazer , ao mesmo tempo  em que pede que uma alma caridosa  lhe impeça da prática de tão tresloucado ato.
O amante  e o suicida  são as antíteses  do bom senso . São os antípodas do homem dito normal. Sua criação  do objeto  amado é tal que  não mais existe Mundo, Humanidade  ou o próximo que não seja  o seu amado . O suicida  vê na  sua decisão a impossibilidade do Outro , do mesmo  Mundo  que para  si é inóspita e inimiga.
Mas  com que gana estes dois  tipos se preparam , arquitetam e estranhamente  estão calmos. A resolução  do amante e do suicida  não admite contestação.
Que estranho  ser se aloja na cabeça  dos dois e consegue  este prodígio? Pois olhem  bem os senhores , o belo tipo  faceiro que tem ao seu lado , é um pacato cidadão , cumpridor de seus  deveres  e um  exímio falsário  de seus próprios  sentimentos. Ele esta decidido  a por fim  a sua vida , e para tanto pode estar rindo  como uma criança.

Porque eu sei tudo isso? Porque já fui  assim. Por  dois belos  olhos mortiços, de uma cor que confesso  não sei mais descrever; Transformei-me em um farrapo, joguete das emoções  que pensava ter  total controle. Era como Lupiscinio  cantava " Se eles pensam que a um lindo futuro só o amor nesta vida conduz , saibam que deixam o céu por ser escuro e vão ao inferno á procura de luz" Eu fiz este caminho . Procurei inutilmente  mulheres de riso fácil, as grandes horizontais de peso de ouro , ou as colegiais  sonhadoras , a moça de olhar mortiço  da janela  multicolorida do ônibus azul e vermelho  ainda estava na minha cabeça.
Desistir não farei. Sei que um dia, na voragem da cidade  e da vida , no pequeno interregno  do nascer  ao morrer  , eu a encontrarei  por fim. Nem que para isso  me desfaça da máscara  da normalidade , e decida que o amor só deve  ser vivido  com a cega convicção  dos suicidas.      
grotius
Enviado por grotius em 29/09/2006
Código do texto: T252509

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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