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Cotidiano


Cotidiano



Passava das 8:00 da manhã, Doralice saia de casa para o trabalho, o elevador já se aproximava de seu andar, envolvida com o toque de seu celular, entrou e apertou o botão que marcava a garagem. Diversas paradas se seguiram, até que no oitavo andar, entra uma jovem senhora, alta, clara e bem disposta, marca o andar térreo e aguarda, outra parada no quinto andar, entra uma jovem senhora de aparência simplória, diferente de Doralice uma mulher de negócios, com um bebê de aproximadamente 6 meses no colo, e uma  criança que aparentava 6 ou 7 anos, ele muito falante, questionava a mãe, sobre a sacola que ela carregava, com tantas latas de leite, vitaminas e etc...,ela brincava com seu bebê  que simpaticamente sorria.
Criou-se um momento harmonioso e Doralice sorriu suavemente com tal cena, porém devido ao seu modo de vida, nada daquilo lhe era familiar. A senhora que se encontrava no elevador, dirigiu-se ao bebê dizendo algo do tipo, oi neném, você é tão lindinho...lalala, reação imediata do bebê, fechou seu belo sorriso e ensaiou um beicinho de choro,  Doralice logo comenta como ele reagiu a investida da então desconhecida.
A mãe, sem saber como agir e sem graça pela reação, foi logo tentar acalmar o bebê, calma filhinho, a titia esta brincando , e ele com o olhar desconfiado, testa franzida, virou seu rostinho em sinal de protesto. O elevador chegou ao térreo, as crianças, sua mãe e a outra senhora desceram, próxima parada seria o final do percurso, Doralice desce  encaminha-se para o seu carro, e segue seu destino. Em seu carro começa a refletir sobre o que acabara de presenciar no elevador,e sem saber quantos momentos terá nesse dia que mal começou, pensa! Quanta expressão e reação em um curto percurso. Coisas rotineiras? não para ela, quantas emoções esse dia promete? Outra indagação lhe vem a mente, como um ser tão pequeno e aparentemente inocente consegue distinguir o que lhe é familiar e o estranho.
Envolvida na correria do dia a dia nunca tinha parado para ver  como é perfeita a natureza humana, e o que para uns é cotidiano, para ela se torna algo novo. E conclui,  assim é a vida, recheada de pequenos acontecimentos despercebidos até então, pois o ritmo de sua vida não lhe deixa perder tempo com acontecimentos simplórios os quais acabara de presenciar.Quantas Doralices existem nas grandes cidades? Será que você é mais uma Doralice? Perdemos muito tempo dando importância as coisas medíocres, enquanto não percebemos o verdadeiro sentido da vida, que como uma vela rapidamente se apaga, e ai sim, não temos mais tempo para nada.





Elizabeth Assad
29/09/06

Orquídea
Enviado por Orquídea em 29/09/2006
Código do texto: T252677
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Sobre a autora
Orquídea
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
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