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A FORÇA DO MARKETING

         
               Não há como negar: o "marketing" está presente no nosso dia-a-dia mostrando, exibindo, exigindo nossa atenção, motivando-nos a adquirir coisas em que, sequer, tínhamos pensado não fora o chamado apelativo de sua força. E lá vamo snós colhhidos nesse turbilhão que nos invade a casa onde se intromete, sem convite, mais comumente pelas ondas sonoras da televisão.

               Antigamente o "marketing", que não tinha esse nome, era feito de modo menos agressivo. Permitia-se à imaginação do comprador completar aquilo que era sugerido pelo anúncio. Nem por isso deixaxa de ser eficiente. Senão, vemos alguns exemplos.

               Desde meus tempos de adolescente faço uso do "Leite de Rosas" influcenciada que fui pela propaganda do produto que prometia a quem o usasse uma pele lisa e acetinada igual às pétalas da flor que lhe empresta o nome.
Havia até uma historieta veiculada nas revistas da época,
na qual uma princesa lastimava-se com sua ama por causa da pele cheia de espinhas e manchas que, certamente, não agradaria ao principe a que estava prometida. Após a ama preparar uma infusão com pétalas de rosas a princesa recuperava o viço e a beleza, encantando o principe e sendo feliz para todo o sempre.

              O Creme Dental Colgate tinha também uma historinha envolvendo namorados que se separavam devido ao máu hálito de um deles. Mas bastava usar o creme Dental Colgate para tudo terminar numa boa. Bem que tentei usar o dentifrício aludido, mas este deixava-me a boca meio anestesiada o que tornava o café da manhã totalmente insosso. Desisti.

              O melhor anúncio de todos, porém, era aquele que dizia:
 
              "Veja ilustre passageiro
              o belo tipo faceiro
              que o senhor tem a seu lado.
              E,no entanto, acredite
              quase morreu de bronquite,
              salvou-o o Rhum Creosotado."

              Nunca cheguei a fazer uso do Rhum Creosotado, mas todas as vezes que entrava num bonde e me deparava com o anúncio, relanceava um olhar pelas pessoas à minha volta conjecturando qual delas, uma dia, estivera às portas da morte de onde fôra resgatada por aquele santo remédio.

              Não se esqueçam que tudo isso faz parte da minha fase de menina, e de menina para moça, daí a razão da fantasia e da credibilidade.

              Mas como explicar o impulso que me levou, agora, a encomendar um produto que me garante perder quilos e mais quilos readquirindo a silhueta esbelta da juventude com a aplicação de um simples adesivo? Santa ingenuidade a minha. Dá pra acreditar?

              É... é a força do marketing.



                                      abr - 98
HLuna
Enviado por HLuna em 30/09/2006
Código do texto: T253380
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
HLuna
Fortaleza - Ceará - Brasil
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