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cronica de ovni

C R Ô N I C A   DE    Ó V N I

               Com  olhos  brilhantes  e  passos  decididos,  Sr.  Alberto percorreu os inúmeros cômodos de sua residência. Após ter comprovado que todos se encontravam silenciosos e vazios, foi até a porta da sala de estar, percebeu que sua esposa e as duas filhas assistiam TV, pareciam tão concentradas que nem notaram que foram observadas com olhos faiscantes pelo chefe da família, que soltou um suspiro aliviado. Em silêncio se dirigiu à cozinha; parou, lhe pareceu ter ouvido passos, estacou com os sentidos em alerta. Os ruídos cessaram, abriu a geladeira com mãos trêmulas, pegou um pacote e se dirigiu para o quintal. Lá fora consultou seu relógio de pulso, 22 horas em ponto, estava na hora de cumprir o ritual que fazia  há  várias semanas.
         Sr. Alberto sempre fora muito precavido, agia em silêncio, não queria ser descoberto. Mas sua filha Débora há algum  tempo  vinha desconfiando das atitudes do pai, e, hoje decidiu espiona – lo. Seguiu-o por entre as arvores frutíferas do quintal, havia também muitas caixas de garrafas e foi numa dessas caixas que ela esbarrou fazendo um certo barulho que alertou o Sr. Alberto que se voltou, vislumbrou na escuridão o vulto da filha, se aproximou e a fitou com olhar aterrorizado.
          Pai e filha, assustados, se olhavam fixamente. Débora com quinze anos de convivência com o pai, percebeu que ele estava diferente, nunca o vira assim antes : Olhos esbugalhados e descolorados, como se fosse um menino sendo flagrado numa traquinagem. Mesmo assim o questionou, fizera várias perguntas, pressionando-o, este se sentindo acuado, teve que confessar tudo a filha, que ouvia com a boca escancarada.  Em  seguida, segurou a mão da menina e praticamente a arrastou para o fundo do quintal. E ali, embaixo de uma frondosa mangueira, disse as seguintes palavras:  APAREÇA  PEQUENINO,  APAREÇA.
            E eis que surge de entre as sombras, um ser pequenino e verde, sorridente, olhos vermelhos como lava. O ser ignóbil, com voz infantil e esganiçada perguntou:
- Trouxeste meus insetos?
Sr. Alberto com voz trêmula respondeu:
- Sim, hoje trouxe um banquete especial, mas você só o terá se prometer que me deixara em paz e irá embora para sempre.
O duende respondeu com voz ávida, vibrante e maliciosa:
- Tem a minha palavra, nunca mais me verá.
- Asseverou então Sr. Alberto: Vá e traga quantos duendes você quiser.
- O ser vulgar e mórbido desapareceu na noite, deixando a pequena Débora sem fala, estava estática, se negava a acreditar no que estava ocorrendo. E continuou muda quando o ser pequeno retornou com inúmeros duendes que se acotovelavam e subiam uns por cima dos outros. Todos puderam apreciar da carne virgem, macia e saborosa da pequena Débora.

- Dois anos se passaram. O nome de Débora, consta na lista de crianças desaparecidas... Com seu pai fingindo desespero.

- Daniel de Castro é Membro da Academia Jacarehyense de letras Cadeira nº 11
daniel de castro
Enviado por daniel de castro em 02/10/2006
Código do texto: T254735
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Sobre o autor
daniel de castro
Jacareí - São Paulo - Brasil
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