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Grécia, O berço da civilização ocidental

Maria Antônia Canavezi Scarpa

Todos temos grande sonhos e geralmente pequenas realizações; em 2008, pude concretizar boa parte dos meus.   Estive na Grécia, um mundo que respira história, viajei no tempo, fui para os dias mais antigos; recordei-me dos estudos de história antiga, viajando pelos Mares Mediterrâneo, Egeu,  Jônico, ou mesmo percorrendo o vasto Peloponeso que abraça a Grécia, separado pelo Canal de Corinto do Continente. Nesta região visitei o Santuário de Olímpia, onde se disputavam os Jogos Olímpicos da antiguidade em homenagem aos deuses Zeus e Hera.

Tomada pela emoção caminhei no seu campo imenso, rodeado de árvores e muitos bancos, onde se sentaram os atletas que vinham de todas as partes; pisei no Templo de Hera, vi o altar dos sacrifícios, o Pelopion; sentei-me diante do templo de Zeus; andei pelo seu hipódromo e no meio do Stadium, imaginei seus jogos e desafios.

Neste país ímpar, embrenhei-me no seu calor, descobrindo porque ali está o berço da civilização ocidental, e passeando por Atenas, sua capital, lembrei-me que poderia estar onde passaram os deuses a caminho do Parthenon, erguido no ponto mais alto desta cidade – o Olimpo. Deste monte alto e imponente olhei outras grandes maravilhas, o Teatro de Dionísio e o Templo de Zeus Olímpico; caminhei em volta da Erecteion, que exibe as lindas Cariátides, recinto sagrado de Atenas e Nike com suas colunas em forma de mulheres. Vi o Teatro de Herodes Ático, o rico Museu da Acrópole e suas preciosas relíquias.

Nos seus sítios arqueológicos, senti o quanto interessante seria viver e caminhar pela antiga Macedônia. A Grécia encantou-me com suas vastas planícies, regiões rochosas, as montanhas e os seus mares. Talvez jamais possa ver outras belezas iguais.

Foi no governo de Péricles que a maioria das suas maravilhosas edificações foram levantadas para que  hoje pudéssemos apreciar os seus feitos. É grego o poeta que eternizou a mais engenhosa trama, entre deuses e semideuses, no Clássico da Ilíada e da sua Odisséia de Homero. Quem nunca ouviu falar dos grandes filósofos gregos, de Sócrates, Platão e Aristóteles, Heródoto, Péricles e Alexandre? Quem nunca ouvir falar do templo de Zeus Olímpico, também conhecido como Olympeion, da Acrópole de Atenas, construída sobre altas colinas ou do Arco de Adriano?

Em toda extensão do País, existem indícios das antigas civilizações: minóica, micênica, clássica e bizantina. Os gregos cultuavam os deuses e com o passar do tempo vieram os bizantinos, os cristãos, os católicos ortodoxos, expandindo por estas terras as mais diversas culturas. A Era Cristã foi se consolidando, mas a mitologia ainda está em cada pedaço deste chão mítico.

Passeando pelas montanhas em Delphos, cheguei ao Monte Parnaso ou Parnasso. Eu o vi, passei por ele e soube do seu esplendor, uma montanha imensa rodeada de oliveiras.

Nas Ruínas de Delfhos, local sagrado para os antigos gregos, o Umbigo do Mundo, lembrei-me do quanto sou apaixonada por Apolo, diante do seu Oráculo, fiz pedidos secretos e como os gregos  o reverenciei;  olhando as Ruínas de Tholos - no santuário de Atena Pronaia; aproveitei-me do cansaço e sentei-me na arena do Teatro de Delfhos, imaginando quanta poesia e música foram ali encenadas, onde realizavam-se  os Jogos Píticos em honra a Apolo, por ter matado  a Serpente Piton,  estes, que antecediam os Jogos Olímpicos.

O sítio arqueológico em Micenas (Tessália) detém as lembranças de Agamémnon, valente guerreiro, personagem grego que está na Ilíada de Homero, de  Helena rainha de Esparta, raptada por  Páris, príncipe de Tróia e seu irmão Menelau,  onde travou-se a lendária Guerra. Nesta acrópole estão os túmulos verticais, ruínas ciclópicas e tumbas ciurculares. Sua construção mais conhecida é o Portal dos Leões; nestas colinas foi encontrada a máscara mortuária de Agamémnon, entalhada em ouro, hoje exposta no Museu Nacional de Atenas.

Visitei e fiz compras no bairro boêmio de Plaka, pude assistir a alegria deste povo que adora dançar, comer carneiro, batata frita e a sua tradicional salada grega. O povo grego ama a noite, a dança e a música, regada a mel; provei os melhores óleos de oliva do mundo, além de fumar o que pude suportar, porque apesar de não ter este vício,  a taxa de fumantes  neste país é altíssima. Atenas é uma cidade próspera e limpa, em uma única avenida podemos apreciar lindas praças como a Sintagma, monumentos impressionantes. A troca de guardas frente ao Parlamento é inesquecível e o Athenas Stadium majestoso.

Na região da Tessália, visitei Kalambaka povoações localizadas no sopé destas montanhas, além das rochas gigantescas denominadas Meteoras , que em grego significa *rochas suspensas*, foram nestas rochas entre o céu e a terra que os antigos monges eremitas, erigiram nos seus cumes, deslumbrantes monastérios medievais, onde a brisa tem cheiro de oliva e mel.  O acesso é difícil, exige uma longa caminhada até o seu cume, mas valeu a pena, porque a vista do seu mirante é maravilhosa. No mosteiro de Varlaan, há manuscritos, objetos religiosos, tonéis antiguíssimos de vinho, pinturas bizantinas, lindos afrescos em suas capelas, roupas, utensílios domésticos, muitas curiosidades, protegidos pela Unesco pertencem à Igreja Ortodoxa Grega.  Na Fócida, visitei o Mosteiro de Hosios Loukas, que no seu interior tem  mosaicos e lindos detalhes em ouro, testemunhos do esplendor da expansão bizantina; sua cúpula central é belíssima, o monge  tem seu corpo  embalsamado e permanece intocável até hoje.

Ao longo do mar Jônico há centenas de lindas ilhas. Visitei poucas,  como Corfu, Leucada, Lefkada (Nidri) e outras; extasiei-me com suas praias, de cores translúcidas, onde o azul  é afrodisíaco, e mesmo que escondidas e pequenas, são praias encantadoras.

Nestas terras mágicas onde habitaram os deuses, senti no ar um cheiro da ambrosia ofertada à Vênus, Marte, Atenas, Apolo, Zeus, Orfeu, Hércules, Cupido, Dédalo, Eco, Narciso, Hera, Poseidon, Ártemis, Ares, Crono, Dionísio, Demétrio, Prometeu, Pandora, Gaia, Hades, Afrodite, Adônis, Hefestos, Hermes o mensageiro dos deuses e tantos outros. Não tenho como me lembrar de todos.  A mitologia é uma compilação lindíssima de histórias fabulosas, com muitas crenças; para este povo que tinha  a sabedoria plena e uma imaginação fértil, criou-se lendas e histórias, das quais até hoje levantam-se dúvidas à suas veracidades, os mistérios dos deuses supremos, ninfas, sereias, sátiros e quimeras, todos eles ligados ou envolvidos com a natureza.

Neste emaranhado de mitos e deuses, viajei nas garras de Medusa, uma górgona, que tinha ao invés de cabelos, cobras, e se olhada nos olhos, transformava as pessoas em estátuas de pedra; perdi-me no Labirinto do Minotauro (na Ilha de Greta), temi os Ciclopes, seres mitológicos de um olho só; fui flechada por Cúpido e me embebedei com Baco.

Um passeio inesquecível, o encontro do real com a fábula, enriqueceu o meu conhecimento, os meus olhos gravaram cada pedaço desta terra antiga e mística. A Caixinha de Pandora alimentou meus sonhos, porque trancou dentro dela a esperança, e foi acreditando nesta esperança que cheguei lá.

Esta crônica esta inserida no livro   “4ª Coletânea do Espaço Literário Sorocult”
http://www.sorocult.com/el/livros_g.php
Tília Cheirosa
Enviado por Tília Cheirosa em 16/10/2010
Reeditado em 17/10/2010
Código do texto: T2561037

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Sobre a autora
Tília Cheirosa
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 61 anos
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Tília Cheirosa



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