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LEGACY

Ao sabermos dos primeiros detalhes do choque entre os aviões e a queda do Jato da Gol, minha esposa comentou de pronto que o piloto do Jatinho estaria testando o seu novo brinquedo, tal qual fazem a maioria dos homens quando compram um carro novo, arriscando-se em manobras que resultariam em multas, caso flagrados por um guarda de trânsito...
Eu rebati a sua hipótese por considera-la absurda, disse-lhe que isso seria uma infantilidade, impossível de acontecer em função de não se tratar de homens irresponsáveis ou moleques ao volante do carro novo do pai. Disse-lhe que estávamos tratando de Comandantes altamente treinados, com conhecimentos e responsabilidades que nós civis nem se quer imaginamos: normas internacionais de tráfego aéreo, as normas do Espaço Aéreo Brasileiro, o conhecimento do Plano de Vôo e as suas normas, o trabalho, a responsabilidade e o conhecimento dos homens que controlam os vôos determinados por esses Planos de Vôos e sabe-se lá mais quanta coisa... Além disso, o que há de mais moderno na tecnologia de aeronaves comerciais estava presente naquelas máquinas voadoras que as tornam automáticas na arte de voar...
Ontem, dia 3, entretanto, o absurdo toma a dianteira entre os eventos que tentam explicar a tragédia: a minha esposa teria razão?
Se a hipótese de interferência proposital do Piloto do Legacy no Plano de Vôo para “testar” o novo Jato se concretizar, digo apenas: pobres homens que não crescem nunca e arrumam pelo caminho uma bagagem de peso imensurável por conta da sua tragédia pessoal de não aceitarem o amadurecimento como complemento das suas experiências de vida em direção ao crescimento maior nas suas existências. Assim é que temos aqueles que defendem as Guerras Preventivas, as Santas, as Malditas, as Justas, as Injustas e vemos a esteira de mortes e dor que se abate sobre povos e nações inteiras...
Se o menino dentro do homem não resistiu e o seduziu para uma brincadeira, poderá ele agora compreender o que foi definitivamente alterado no Plano de Vida de tantos filhos, pais, esposas, esposos, namoradas, namorados, todos tão amados... Aprenderá ele, e nós, aprenderemos esta lição? Compreenderá o Repórter Norte Americano que os seus heróis não são tão heróis assim, visto que estavam salvando-se a si mesmos depois de tê-lo colocado na mesma lista dos passageiros do outro avião? Continuará criticando a estrutura de controle de tráfego aéreo brasileiro depois de saber que todas as regras teriam sido quebradas por pura irresponsabilidade e infantilidade? Terá ele agora a sua reportagem sobre Jatinhos Executivos completada pela conclusão de que eles funcionam perfeitamente se estiverem conduzidos de acordo com as normas nacionais e internacionais de vôos comerciais e com todos os instrumentos devidamente ligados? Diga ele também: Legacy, que máquina fantástica que resistiu sem desintegra-se após um choque naquela velocidade!
Eu, particularmente, gostaria que fosse apenas falha de máquinas, visto que ela tem apenas Caixas-Pretas e não consciência, sentimentos e memória: ainda espero por isso.
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 04/10/2006
Reeditado em 05/10/2006
Código do texto: T256149

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 58 anos
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