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MILENA

MILENA

Recebi do amigo, confrade e camarada Waldir Rodrigues, companheiro de milícia, Aci e Alomerce, uma novela quiçá interessante. “Milena”, a sua obra novelística. Fiquei com a visão emoldurada, imaginando acicatadamente as nuanças, que o poeta na sua ótica e perspicácia, disporia para nosso deleite e admiração. Aspectos multifários de um nome aconchegante e acolhedor. O que sai da introspecção de Waldir Rodrigues de Carvalho promanam de um dom divino cujo destino é sempre apologia. Um homem com caráter ubertoso e de idéias viçosas nos alerta na abertura, no intróito com a seguinte explanação: “Algumas vezes descuida-se o raciocínio para que se divirta a esperança com que sonha a imaginação”.Citação de (Antonio Solis).
Pensei numa mulher bonita, corpo escultural, olhos azuis, coração divinal e de destreza magistral. Na apresentação fiquei espantado, um pouco desconfiado pela seqüência natural que a descrição tomava forma. Falava em viagem, Montevidéu, em atestado de óbito de uma vida conjugal. Falava de um certo coronel e de casais brasileiros que iam a cata de soluções para as agruras matrimoniais na República Oriental. Começou a turismar estrelas, no cavalo de pau de sua infância, transpôs sideral com ânsia veloz, galáxias foram vencidas. Mantos azuis dos sonhos de infância foram para lá do fim dos mares, sempre ao galope da imaginação, cabe a culpa ao cavalo que jamais retirou os pés do chão? Rebuscando as coisas velhas, sentou-se a cadeira de palhinha para amenizar as crises hemorroidicas, encontrou a novela que do segundo capítulo não passava. Ficou no último parágrafo: “Marinheiro nasci, mas em terra me criei e no cais da esperança em vão navios sonhei...”.
Frustrado por ter dedicado 30 anos a Polícia Montada do que os sabores ondulantes das ondas do mar. Sonho de criança que não vingou, mas não desassanhou. Maldizia-se que a “cada galão” colado ao ombro era um assombro, frustração total.  Não tinha mais anus para enfrentar a batalha. Nem com caxiagem conseguiu transpor os umbrais do segundo capítulo, mas o mar não lhe saía da cabeça. Da Republica Oriental veio consigo a dona encrenca, a Mafalda do coronel que sempre empertigava nos dias de corridas e de lauréis. Depois de reler o que escrevera num tom poético e escalafobético, respondeu; “Vá a merda!” Aquele casal vivia em desarmonia e ditou para a empregada, hoje nem água leve para aquele cachorro. Mafalda com a convivência mostrou ao coronel o dom de ser infiel. Depois de passes e repasses minha vibração cerebral se desnorteou, pois descobri que Milena, não era o tipo de mulheres fogosas, formosas e de olhares ardentes, mas sim uma égua impertinente que corria léguas nas competições cavaleirísticas, mas que alegrava muita gente.
Desandou, consegui chegar ao terceiro capítulo.  Num momento de esplendor escreveu: “Então nas docas do sonho, construí até o fim o meu navio de velas, transatlântico ou bergantim e do porto do desterro zarpei em busca de mim...” Coronel vai gostar de mar assim na baixa da égua. Como sinfonia para dar luz à ilusão usava o Mar Egeu em profusão. Sempre relembrava o passado com a companheira Mafalda braba como uma égua, mas diferente de Milena, que cativava o coronel com suas astutas atuações no hipódromo de sua preferência. Alfafa balanceada era sua refeição, um haras no quintal causava polêmica e confusão. Ela sempre ganhava e quando empatava havia brigas e mortes pela falta de sorte dos apostadores. Milena de égua virou mito e dona Mafalda com grito e reza pedia, que aquela égua perdesse um dia, para que o velho coronel acabasse com seu orgulho arredio. Fazia de tudo! Treinava Jóqueis, e endeusava demais a sua cria. Milena pouco a pouco ia distanciando o coronel de sua Mafaldinha. Conversava muito mais com Milena do que com a própria mulher. Um dia fez “Forfait” ganhando com dois corpos de vantagem.
Momentos antecediam a uma nova competição, foi uma de gala, mas Mafalda notou que o coronel não queria pegar frete com a cegonha, daí surgindo um macabro plano, encomendou a Viturina a empregada da casa esmero no almoço. O coronel demorou e então Mafalda fazendo-se de vítima almoçou com o jóquei Ramón. Malveira seu amigo foi procurado, visto que notava que seu barco estava furado. Mafalda num momento de êxtase sexual tirou o atraso com um homem sensual deixando o coronel coçando a cabeça, pois ali foi plantado com todo ardor e rigor um par de chifres. Arrependido, desiludido com tal situação foi até Milena para se vingar de Mafalda e ao som de uma poesia disse: “Senhora Dona Milena, por favor, me permitais, introduzir o com que mijo, no por onde vós mijais”.
Feito o cão a comer mariola o coronel esbugalhou os olhos, abriu a boca e gritou em altos brados: Mafalda, Mafalda... Era tarde, Mafalda sumiu. Deixou o coronel a ver navios e com dor de cabeça profunda, pois notava que algo estranho assanhava a sua cabeça, para complicar a situação soube que seu amigo Manuel havia flagrado sua noiva, fazendo sexo com um ricaço da Vila. “O que dá para rir também dá para chorar” e diante de tanto sofrimento o coronel ciumento colocou o sabugo no lugar errado, o resultado da cena, sai chifrado. Malveira será que nenhum dramaturgo irá falar nessa história verídica, nem Otelo ou o infeliz Clariano?
 A exultação aparece, depois de um período maroto que o coronel passou de feliz para escroto, esquecendo o amor humano pelo animal e foi triste o seu final. Caos no relacionamento. Quando tomava cevada com leite lembrava-se de Malfada e do bom deleite.  Tempo vai, tempo vem e o coitado nas ondas cavaleiriças perde o amigo que a saltar do cavalo fratura a base do crânio. O navio dos sonhos atracava no porto dos desesperos. Viturina fiel escudeira cuidava do coronel que perdera a mulher, o amigo querido e ainda teve que amargar a derrota da deusa Milena. Certo dia amanhecera feliz por que Milena deu a volta por cima prevendo a infelicidade e sofrimento do fiel amigo coronel. Uma crise de psicose-maníaca depressiva se instalou no já debilitado coronel que ao receber a notícia da grande vitória de sua Milena querida, sentiu-se mal, arreou na cadeira e sentiu seu (anus) sofrido reclamar, fica atordoado, com aperto no coração, chega pensar em sonrisal e em outros santos, mas sente um grande desabrochar de botões hemorroidicos de lombrigas despertadas.
Torna-se vampirizado e um grito veio tremer as bases e os muros do quartel, a três metros de distância, a voz bradou, hoje tem páreo Coronel! De olhos arregalados, notou através da panorâmica de sua memória o repassar de toda sua vida conjugal que abominara: as discórdias, as brigas, desatinos e adultérios. Quando cessaram as angustias, as dores internas, as luzes se acenderam, um clarão do entendimento projetou-se pela porta afora, a mesma porta por onde sua bem-amada –consorte acabara de entrar... Moral da novela: Todo castigo para corno é pouco.  Pelo que li, assimilei e compreendi, Waldir com sua capacidade de criador, mostra com nuanças e temperanças a vida de um coronel, que foi a Montevidéu procurar seu céu, mas se deixou levar pela paixão de Milena, a égua famosa e eleita por ele como uma deusa, trocando o sagrado dever de marido. Iludido se tornou. Foi cornado, chifrado e maltratado por uma outra mulher de nome esquisito, “hemorróidas”, com quem conviveu a vida inteira. “Pela escotilha dos sonhos; vislumbrou sinais de terra; nos tempos de maré-cheia; e os sonhos de ventura; pela escotilha dos sonhos que não esqueço jamais”, Senhora Dona Milena, por favor, me permitais, introduzir o com que mijo, no por onde vós mijais “. A história não é de Troncoso, mas de um poeta famoso, que a milícia cearense o acolheu. De Luzilândia à Fortaleza foi uma destreza, um caminho traçado pelo Divino, nosso bom Deus. Parabéns, amigo Waldir Rodrigues esse é o comentário simples de um amigo que muito te admira. Fica com Deus irmão”.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-ESTUDANTE DE JORNALISMO DA FACULDADE INTEGRADA DA GRANDE FORTALEZA DA ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE IMPRENSA (ACI) E ACADÊMICO DA ALOMERCE (ACADEMIA DOS OFICIAS DA RESERVA DO ESTADO DO CEARÁ).


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Enviado por Paivinhajornalista em 04/10/2006
Código do texto: T256237
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