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Virando a mesa

Pois é, às vezes estamos de saco cheio da mesma mesmice dessa vida, trabalho, família, trânsito, mesmas ruas, mesmos vizinhos, mesmas caras tristes e sonolentas de manhã, mesmo “bom dias”, mesma comida, rotina de trabalho, mesmo salário, mesmo presidente por oito anos, mesmas novelas na rede Globo, mesmos filmes já repetidos “n” vezes..........Poderia ficar aqui o dia inteiro listando as mesmices, mas vou poupá-los e ir direto ao assunto: Troquei tudo e assustei.............Estranho como somos considerados normais, e inseridos no contexto, quando não mudamos, somos amados ainda mais quando sofremos com a rotina, as nossas caras tristes e infelizes causam a alegria e admiração dos outros que nos acham bonzinhos, até! Ficamos em paz (eu ia escrever “literalmente em paz”, mas “literalmente” nada significa, literalmente falando) porque não causamos impactos em ninguém. “Quem deve causar impactos são os outros para eu admirar, não você” - poderia alguém dizer. Na verdade, dizem, mas não para nós e nem para os outros, dizem em pensamento, explodem em pensamentos, mas são pensamentos que não externam, não é um “bum” é um “mub”! Diria o meu pai! E sofremos felizes para agradar a outros, e desagradar a nós mesmos!
Que raio tem a gente a ver com os outros, mesmo filhos, esposa, pai e mãe quando queremos ser mais felizes, queremos mudar, queremos revolucionar o que está parado, queremos a excelência ao invés do “bonitinho”, queremos a beleza das coisas, queremos sorrir e não rir da nossa própria condição, não queremos achar a tristeza normal (plágio de uma letra de música que não lembro o nome), queremos a felicidade e alegria como base até da poesia? Eles que se danem se não estiverem gostando, a porta da frente (ou mesmo a dos fundos) estão sempre abertas; eu não vivo com o pulmão deles, eu não vivo com os seus corações, eu não vivo com os seus lábios. Quem um dia revolucionou o mundo foi pregado numa cruz por inveja por Ele ter alcançado os seus objetivos!

E mudei, mas custou dinheiro, custou tempo e custou decisão:
1) Mudei todos os meus móveis (consórcio de loja)
2) Mudei de carro e a cor do próximo (financiamento)
3) Mudei de computador; raio de informática que nunca sabemos onde colocamos os arquivos (financiamento)
4) Mudei de presidente (me custou dinheiro de gasolina para ir até o local de votação e a fila quase infinita, não fosse eu tê-la furado)
5) Mudei a cor da minha casa, de “nada” para branco (me custaram férias por causa do tempo que tive que ficar em casa pintando e a economia de R$ 1.500,00 que o pintor iria me cobrar)
6) Mudei de vizinho (sem querer, porque a turma reclamou do barulho que faziam com um grupo de pagode cantando a noite inteira)
7) Mudei de celular, (me custou algum dinheiro, mas o velho estava muito velho e cansei do número. Que pena que os números vão somente do zero a nove, deveria ter mais algarismos como as 26 letras, por exemplo!)
8) Mudei de emprego, (causei transtornos e custou a tristeza, mas do empregador)

Daí começaram os meus problemas, até então tudo bem porque estava trocando coisas e não coisas “em mim”, e fui adiante:

10) Mudei as minhas roupas.
11) Mudei o meu vocabulário, por um mais correto, (menos erros para parecer menos garotão moderninho, “do tipo” não falaria nunca mais)
12) Mudei o perfume (caro, como sustentar os seus vícios)
13) Mudei de música, agora é em francês, italiano etc (causou estranheza em muitos)
14) Mudei os meus livros (cansei de capas amareladas pelo tempo)
15) Mudei a personalidade para melhor (pensamentos mais positivos, pensamentos mais sacanas e menos certinhos; passei a sentir mais tesão!)
16) Mudei mais e fiquei mais sorridente (me custou uma profilaxia completa para não desagradar)
17) Mudei os meus hábitos alimentares para ficar menos feio fisicamente (causou estranheza, mas deve ser porque a feiúra te deixa em paz com as pessoas, sabe como é, competição é ruim!)
18) Passei a ficar mais contente com a vida (causou estranheza de novo, porque ser triste é ser “in”. Sermos felizes, contentes, alegres é totalmente inaceitável num momento em que o mundo passa por uma crise de guerra, de identidade e mudanças tão radicais, isto é, siga os perdedores, você se dará bem melhor!)
19) Passei a dançar e cantar mais, mesmo sozinho e (até no banho) – mais estranheza, “por que agora canta sendo que nunca cantou?”. Por isso, aqui vai um conselho, não cantem, não dancem – faz mal para o coração e para a alma!
20) Passei a visitar mais os meus irmãos (mais estranheza - “por que? Nunca deu atenção e de uma hora para a outra dando uma de bonzinho, acho que te preferia ruim, perverso, orgulhoso, teimoso com eles, brigão – você não brigava comigo, isso me bastava!”
21) Após tanta mudança, irritada, triste e infeliz, ela me perguntou – “Agora o que mais te falta para mudar?” - Eu, triunfante e endividado, falei:
VOCÊ!
Paulo Eduardo Cardoso Pereira
Enviado por Paulo Eduardo Cardoso Pereira em 04/10/2006
Reeditado em 29/03/2009
Código do texto: T256282
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Sobre o autor
Paulo Eduardo Cardoso Pereira
Jacareí - São Paulo - Brasil
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Paulo Eduardo Cardoso Pereira