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CONDOLÊNCIAS.

Quando a dor do próximo fala alto - dói igualmente na gente. Sensibiliza e de alguma maneira se quer demonstrar algo que seja a expressão efetiva de um sentimento terno que possa ir ao encontro do coração que se derrama em dor, na tentativa de confortar.

Desde os tempos mais remotos a morte, paradoxalmente, ocupa lugar de destaque na vida do ser humano - Do lat. mortem - é o cessamento da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais.

Os egípcios acreditavam que o ser humano era formado por Ká (o corpo) e por Rá (a alma). No momento da morte, a alma (Rá) deixava o corpo (Ká), mas continuava a viver no reino de Osíris ou de Amon-Rá. Isso somente seria possível se fosse conservado o corpo que devia sustentá-la, Daí a importância de embalsamar ou mumificar o corpo para assegurar a sobrevivência da alma.  Sócrates ensinava que a filosofia nada mais era do que uma preparação para a morte. Nas sociedades tribais, o problema da morte não existia porque o indivíduo tinha um peso muito diminuto com relação à coletividade. Deixando de viver, a pessoa imediatamente fazia parte da "sociedade dos mortos", inclusive, com a possibilidade de se comunicar com os vivos.

Durante a Idade Média, marcada pela forte influência da religião, a população era educada no sentido de aceitar a morte como um destino inexorável dos deuses.

Hoje, embora a história indique uma aceitação e um certo comprometimento com os cuidados com a morte, nos dias atuais a morte vem sendo considerada como tabu – poucos são os que se dedicam a esse assunto, renunciando completamente quanto ao compromisso dos funerais, que são absorvidos pelas casas funerárias. Conquanto seja a morte inevitável para todos os homens – independentemente do grau de evolução e condições sócio-econômicas nada mais são os homens que meros mortais. Cerca de 50 milhões de pessoas morrem, a cada ano, em todo o mundo. Ricos e pobres, homens e mulheres, negros e brancos, velhos e jovens, religiosos e ateus, todos nós vamos morrer um dia, apesar do avanço da medicina na prevenção e tratamento de doenças.

Entretanto apesar de a morte ser fato natural, inevitável e extensivo a todos os viventes, talvez pela inversão de valores o morrer de “morte morrida” já não é tão comum – assusta os indicativos de homicídios, praticados em todos os recantos do globo motivados por trivialidades e distúrbios psicológico do homem. Da mesma forma é assustador o índice de mortes patrocinadas pelos Estados; um contra-senso grotesco do homem, dito humanizado.

E muito preocupante é a maneira burlesca como vem sendo tratada a vida – matar deixa de ter conotação amoral e passa a ser banalidade. A indústria da arte, muitíssimo, tem colaborado para esse desencadear de comportamento.

A despeito de todas as considerações referentes à morte, só e somente só, aquele que segue com vida velando o ente querido que jaz é capaz de compreender o verdadeiro sentido da separação, além de ser o único a alcançar verdadeiramente a tradução de um abraço fraterno, ou um significativo apertar de mãos perante o momento fatídico.

Compartilhando do mesmo sentimento de perda que assola a nação brasileira, deixo juntamente a esse tema as minhas mais sinceras condolências aos familiares e amigos das vítimas do vôo 1907 – Brasil, 01-10-2006.
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 05/10/2006
Código do texto: T256930

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 51 anos
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Cláudia Célia Lima do Nascimento