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Vida de Palhaço

        Ele ia no seu precário equilíbrio pelas ruas apertadas do calçadão. Um calor de lascar, um asfalto novo e mole para suas pernas de pau.Um movimento enorme.Camelôs,vendedores de picolés, bicicletas, motos e gente apressada, um burburinho danado e ele no meio desta confusão ganhando a vida fazendo propaganda da loja. Alguns traseuntes  olhavam, comentavam e passavam. Outros com cara de abestados, ficavam parados como se nunca tivesem visto um palhaço ganhando a vida fazendo propaganda em cima de umas pernas de pau. Lembrava que o gerente da loja disse que era o último dia de trabalho, a coisa estava ruim, vendendo pouco, o povo tinha acabado o dinheiro bebendo na Copa do Mundo. Nem em cima de perna de pau se pode mais ganhar a vida, pensava e gritava o nome da loja.Loja do Povo ! Loja do Povo, barato de novo ! No seu equilíbro, usava uma vareta, como maestro usa. Para ele era como espantar moleque. Garganta seca.Nem água, o homem dá. Seus olhos cansados viram um grupo de menores de rua. Lá vinha merda. Uns com sacos de plástico, cheirando cola. Ninguém tomava providência. O maior deles se adiantou e ele o ouviu dizendo "quer ver como derrubo ele ?" Só faltava essa.. "Passa largo, pivete, tou trabalhando..." - Vou te derrubar , otário, respodeu o menor e foi se aproximando de suas pernas de pau. O palhaço se abaixou e deu de pau na cabeça do menino. Foi bater e o sangue escorrer. " Bateu na fronte," disse uma vendedora de café. Mata Sete, o palhaço viu que tinha entrado em fria.Correr com as pernas de pau, não podia.E foi juntando gente. A maior parte condenando o palhaço.Uma mulher deu razão ao homem das pernas de pau. Apareceu um estudante e alegou os direitos humanos.O Estatuto do Menor.Rapidamente, uma pequena multidão era o corpo de jurados do palhaço da perna de pau. Chegou uma dupla de policiais militares e o "elemento" recebeu logo voz de prisão. No meio da confusão, viu o gerente da loja se aproximando e sentiu um alívio. Finalmente. Botou o seu olhar mais triste para o gerente da loja. Estava no seu trabalho e foi provocado.O gerente ouviu.Disse que não podia fazer nada.
      Mata Sete, palhaço de perna de pau, propagandista de loja, foi conduzido ao primeiro distrito policial e lá jogado numa cela onde mais de dez marginais esperavam vaga na Casa de Custódia. Ainda com cara pintada de palhaço.
garrinchapiaui
Enviado por garrinchapiaui em 07/10/2006
Código do texto: T258422
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Sobre o autor
garrinchapiaui
Teresina - Piauí - Brasil, 78 anos
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