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LA TRISTISSIMA DOMENICA

O domingo das famílias alegres. O domingo repetido dos solitários de amor.

O domingo triste dos velhos abandonados em asilos. O domingo que só chegará amanhã ou depois, para os que sonham acordados.

Ou o domingo que não chegará nunca. A semana acaba neste momento, como a vida.

Gostaria de ajoelhar-me e rezar, como antes. Ouvir Grieg e não esquecer uma certa frase do I Ching (e como poderia esquecê-la?). Mas da minha alma não evola nem prece nem esperança.

Gostaria de ligar para os amigos e dizer que a vida é boa. E onde fica a sinceridade? Por enquanto Cecília reza por mim. Ela que morreu numa segunda-feira.



CÂNTICO   III



Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.
Raimundo de Moraes
Enviado por Raimundo de Moraes em 19/06/2005
Reeditado em 20/06/2005
Código do texto: T25877

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Sobre o autor
Raimundo de Moraes
Recife - Pernambuco - Brasil
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Raimundo de Moraes