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A Dualidade da Era Digital

        Vivemos em uma época onde as pessoas pouco se interessam em prestar atenção no próximo, seja dentro de casa ou no dia-a-dia, onde também, pouco há troca de olhares, contato humano e afeto.
Daqui a algum tempo, quando estiver em contato com o “mundo lá fora”, uma das raras oportunidades de desfrutar a natureza (isso quando ainda for visível), de trocar um sorriso e conhecer pessoas, o homem estará entretido nas suas companhias artificiais, como celulares, IPTV, internet...E correrá o risco de ser tão artificial e descartável quanto elas.
A sociedade denomina esse desenvolvimento de Evolução. E de fato é, mas a Evolução da capacidade e habilidade que foi dada ao homem, de criar, inventar, descobrir e produzir. Pois o ser humano, em si, parece estar regredindo ou deixando de lado a evolução no que diz respeito ao afeto, expressão e produção de sentimentos, convivência coletiva e outras capacidades que talvez nem chegue a conhecer.
Quem sabe, num futuro não tão distante, conversar com alguém e perceber que este alguém está triste fará de você um vidente, pois a maioria das pessoas terá perdido essa sensibilidade e percepção em relação ao outro.
A falta de tempo e de valores humanos, já faz com que muitas pessoas recorram a terapeutas e psicólogos, ou seja, a “pagar” pelo “tempo” de outras pessoas para que conversem com elas, ou simplesmente, as escutem e se preocupem com seus problemas. O que ainda não é comum aos idosos, pois além do ritmo de rotina ser mais lento, cultivam os hábitos de cordialidade, conversa pessoal e interesse sincero pelo próximo.
Mas para a geração jovem atual, tudo torna-se superficial, pois não há tempo de se apropriar e se aprofundar naquilo que passa pela sua vida. Quando se sente feliz por estar quase entendendo tudo sobre seu novo celular, já foi lançado outro. Você, frustrado, corre para se atualizar, corre no seu dia para não se atrasar, se alimenta depressa e passa pouco tempo com amigos e familiares. De repente uma brecha do seu tempo surge, e você se depara com um sentimento de insatisfação, afinal as possibilidades são tantas, mas parece que nada lhe pertence, lhe preenche, e você a nada e nem a ninguém. Percebe que tudo ficou na superfície, e mesmo assim, continua a buscar e a correr, sem saber para onde e para o que.
Embora a demanda de informação e de produtos, e a velocidade que isso ocorre, exija uma absorção e adaptação da sociedade, que muitas vezes, processam-se sem critérios do próprio indivíduo, além da falta de equilíbrio entre a exagerada dedicação do homem para o desenvolvimento tecnológico e material, e a pequena parte dedicada a outras áreas importantes de sua vivência, existe muita riqueza inexplorada em “mundos” aparentemente inexistentes.



Marcela
Enviado por Marcela em 08/10/2006
Reeditado em 28/06/2009
Código do texto: T259708

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Sobre a autora
Marcela
Santos - São Paulo - Brasil, 32 anos
32 textos (2255 leituras)
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Marcela