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Das mais leves (...)

Sempre tive uma relação muito boa de amizade com meu sogro, que era uma pessoa de humor elevado e sabia contar histórias engraçadas, as quais dizia serem verdades do seu tempo de criança. Um dia de domingo, família reunida, filhos, netos, noras e um clima de muita descontração, eis que ele (meu finado sogro), tomando mais uma taça de vinho do Porto, (talvez a décima), resolve contar uma de suas mirabolantes, daquelas historinhas perigosas que no final, a gente não sabe se ri ou sai de fininho. Dizia que quando era criança, seu pai costumava sair para pescar ainda de madrugada e que, numa dessas pescarias o chamou pra ir junto. Saíram então ainda com a lua no céu e andaram muito, até que num certo lugar, teriam que passar por uma ponte de madeira; a luz que tinham era apenas a claridade da lua, pois esqueceram o farolete em casa. Mas ele, como criança, sentia muito medo, não queria atravessar aquela ponte de madeira já desgastada e com vãos entre os caibros que serviam de piso; o reflexo na água, mais o balançar dos galhos e o barulho do vento, sortiam um efeito estranho. Relutou muito para seguir em frente com seu pai, até que o mesmo conseguiu convencê-lo. Porém, ao caminhar e chegar no meio da ponte, uma luz que vinha de baixo mirada em sua direção o deixou paralisado, não conseguia seguir em frente, nem mesmo voltar... E a luz foi subindo - e sempre em sua direção por entre os caibros, tomando seu corpo todo. Em seguida ele se viu num lugar todo metalizado e com seres estranhos lhe medindo dos pés à cabeça, dizendo frases desconexas e sons como de robôs, o examinavam em círculos, cada um na sua vez, até que sentiu adormecer novamente. Quando acordou estava na beira do rio, embaixo da mesma ponte pescando, enquanto seu pai dormia com uma garrafa de vinho do lado (...)
Depois dizem que bebida sendo de boa qualidade, mesmo em excesso não afeta os neurônios!
Essa foi demais para os meus ouvidos! Reuniões de família tendem a acabar mais cedo com esses desvarios... I'nda foi das mais leves... Imaginem o que viria pela frente!

Bem, tem muitas mais, porém prefiro deixar para ocasião mais propícia. Afinal, depois de uma noite dessas, melhor ir dormir no meu colchão fofinho e bons lençóis.
Boa noite!
Nina
Enviado por Nina em 10/10/2006
Reeditado em 02/08/2013
Código do texto: T261422
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Nina
Tupã - São Paulo - Brasil
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2 e-livros (96 leituras)
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Nina