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                 Computador,
                 meu bom amigo

       
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só. Me diz uma gazeta, de circulação nacional, que o computador está interferindo no relacionamento conjugal, ameaçando, seriamente, a paz que deve reinar entre os casais!
       Consortes mais raivosas o têm amaldiçoado!
       Elas não aceitam que seus companheiros invadam as madrugadas clicando aqui, clicando ali, condenando-as a uma torturante solidão, em suas alcovas.
        A desavença tende a se agravar com o uso cada vez mais do Notebook.  
        Destaca a folha: o marido leva o Notebook para a cama, aumentando o ciúme da  santa esposa, que passa a desejar o pior pro seu internauta  naquele momento, para ela, um sujeitinho ingrato e ordinário...
         Soube, que algumas mulheres chegam a  pedir a Deus a momentânea "impotência"  dos seus varões, fazendo-os, pois, perderem o tesão; em casa e na rua.
          É provável,  que esta notícia tenha procedência. Quero, entretanto, deixar bem claro que estou entre os que jamais trocaria uma noite de prazer, nos braços da mulher amada, pelo computador. Aonde!!! Como se diz aqui na Bahia.

          Fiz do meu computador um amigo de todos os dias; mas nunca um amigo de todas as horas.
           Ele veio preencher o vazio que a aposentadoria me impôs. Tem me ajudado a atravessar, numa boa, os inevitáveis momentos de insulamento decorrentes da minha jubilação.
          Por isso, quando desconfio que alguma coisa pode acontecer-lhe, fico transtornado. 
               Sinto-me como se estivesse na iminência de perder a companhia de um amigo de muitos anos.
          Aquele velho amigo que, a qualquer hora, nos traz boas notícias;  nos diverte com piadas sadias ou não;  que nos indica boas leituras;  recebe e leva nossa correspondência; e, sem reclamar, atura nossas lamúrias, indignações, e guarda nossos segredos...
          Não condenem, por favor, quem passa incontáveis horas diante de um computador navegando, navegando, navegando; descobrindo novos sites; comunicando-se com conhecidos e com desconhecidos, na sua cidade, e fora dela.
          Não condenem sumariamente os internautas. Pois, muitos deles têm no computador a única janela para o mundo.

           Costumo dizer, que Deus fez dois tipos de computadores: o computador que ajuda o cidadão a ganhar o pão de cada dia, e o computador que diverte.
          O primeiro, abre caminhos; facilita e fecha negócios; descobre bons empregos; faz compras; paga isso; paga aquilo; vai aos bancos; solicita talão de cheque;  puxa extratos bancários; vai aos Tribunais.
          Vê como andam os cartões de crédito; faz negócios na Bolsa; acompanha a oscilação do Dólar e do Euro; consulta a meteorologia; programa e realiza tarefas do seu emprego e do seu escritório.
           O segundo, oferece bons livros; ensina como fazer boas compras; informa sobre o time do seu coração; dá a dica pra manter uma cozinha saudável; indica milhares de sites sobre música, escultura, pintura e viagens; indica bons autores; e, em questão de segundos, põe você diante dos jornais, rádios e TVs do Brasil e do mundo.
           Optei pelo computador-lazer; ou melhor, pelo computador-prazer.  E me divirto à beça explorando, com audácia  e destreza,  os sites, atalhos e links que a internet me oferece.
           Através dele, entro  nas livrarias, e adquiro livros e CDs; visito lojas famosas; mando flores e presentes; folheio todas as revistas semanis; e perambulo pelos cinco Continentes. 
           Conheço a intimidade das grandes metrópoles, e a vida das cidadezinhas mais escondidas do Brasil e de outros países.
            Vou ao Louvre; ao museu do Prado; à Capela Sistina; e à Galleria degli Uffizi, na abençoada Florença.
            Noite dessas, revi, demoradamente, quadros de Velásquez; de Monet e de Manet; de El Greco; de Goya; e os fantásticos afrescos seráficos de Giotto e Cimabue.
            Quando estou com saco, leio o noticiário político e o noticiário policial; quase sempre prefiro este.
            Guerras? Ora, se foi para me distrair que me deixei seduzir pelo computador, não me interessam as infindáveis e inconseqüentes brigas no Oriente Médio, por exemplo. 
             Deleto, sem contemplação e sem remorso, tudo o que de ruim os satélites me mandam, a cada minuto.
             E o e-mail? Ah! Sem o e-mail, o computador perderia parte significativa do seu fascínio. Essa de a gente se comunicar, com   rapidez, com pessoas conhecidas ou não, daqui e de muito longe, é um tremendo barato.
            Através do e-mail, a gente elogia e xinga os outros; dá livremente  nossa opinião sobre qualquer assunto; externa nossas alegrias e nossos ódios. 
            Através de um terno e-mail, a gente A-M-A até quem a gente nunca viu...
            É muito chique se ter, de repente, um endereço eletrônico:
fulano@xyx.com.br
            O e-mail, diria, não sei se exagerando, é o sopro que o computador exigiu, para ter vida plena. 
           Com o correio eletrônico ele deixou de ser, apenas, mais uma máquina no nosso quotidiano.
           Oh! o computador! E  ainda tem gente que teima em lhe não reconhecer os  encantos...

  



     
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 11/10/2006
Reeditado em 23/08/2013
Código do texto: T262054
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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