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Até bem pouco tempo...

Estava morrendo de medo. Minha mãe havia me alertado que alguém, filho não sei de quem, tinha perdido o braço ao disparar um rojão. Não sabia se era mentira, mas tive medo de estourar a caixa de rojões que minha irmã e eu havíamos comprado para celebrar o Ano Novo de 1993. Tinha 13 anos e ela, com 10, não quis saber daquela conversa. Corajosa, disparou os rojões. "Viu só, que legal?", disse sorrindo seu lindo sorriso. Na virada do dia 31 do último sábado, aquele foguetório todo ativou um gatilho em minha mente, transportando-me para a Santa Maria de 13 anos atrás. Naquela época, via as mesmas felicitações de "bom ano ano" e tinha o futuro como algo beeem distante. Parecia que, então, os anos eram maiores e o futuro era algo que se tinha muito tempo para pensar. Mas, incrível, aqueles anos continham os mesmos 365 dias que temos hoje e que passam tão rápido.
Quando criança, tinha a certeza de que a vida era não era curta. Era uma eternidade esperar pelo meu aniversário e ganhar presente (qualquer coisa do Batman). Hoje, ao observar as perspectivas de todo o mundo para 2006, vejo que não são tão diferentes das de 2005. Na medida em que cescemos, o tempo parece se acelerar. Nem temos tempo de repetir aquelas expectativas todas e as semanas e meses disparam velozmente. "Puxa, como esse ano passou rápido", é o que dizem os adultos, espantados com a fugacidade de tudo. E isso espanta mesmo, pois sabemos, dentro de alguns (rápidos) anos, estaremos mais velhos. Neste reveillon, enquanto minha mente viajava por esses assuntos, alguns de meus melhores amigos, Francisco Diello, Cristiano e Adriane Freitas e minha querida Vivian brindavam com taças de champanhe. E vendo os foguetes, eu parecia enxergar o sorriso lindo de minha irmã, aos 10 anos, me dando uma sábia solução para o dilema. "O tempo passa mais rápido para vocês, adultos, porque esquecem de desfrutar os detalhes da vida e saboreá-la de instante a instante, ignorando que existe o amanhã".
Márcio Brasil
Enviado por Márcio Brasil em 12/10/2006
Código do texto: T262863

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Sobre o autor
Márcio Brasil
Santiago - Rio Grande do Sul - Brasil
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Márcio Brasil