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OLHA LÁ.... O NEGRO !

OLHA LÁ... O NEGRO !

<b>"Olha lá... o negro
da calça furada,
camisa rasgada,
cabeça raspada...
olha o Negro, sinhá!"</b>
("corrido" de Capoeira,
cantado nos anos 70)

<b>..."Negro é o Preto que brilha"!</b>
(trecho de canção ouvida em
praça de Belém, em 1995/96)

<b>"A Capoeira, filha da Terra, está
sendo esmagada de pé"!</b> (trecho
de poema de mestre NATANAEL,
do LP "Capoeira de Angola", 1972?)


"Mãe-Capoeira, tu que vieste da África no sangue dos escravos..." assim inicia mestre Natanael sua declamação cheia de uma filosofia que a Capoeira de nossos dias insiste em não ter, tão moderna que tenta renegar até suas origens africanas, as RAÍZES dos ancestrais que a (re)criaram em terras brasileiras. O negro contemporâneo perdeu a luta de resistência (e de sobrevivência) de seus ritos, práticas e tradições trazidos da longínqua África e hoje se contenta em ser aceito... pela côr da pele. Esse "respeito forçado" em forma de Lei é um péssimo negócio, embora deva ser um suplício para dissimulados racistas e para os preconceituosos de plantão, que não são poucos. (Esquecem todos que não existiria Brasil sem a força do braço negro, pois o índio fugia do trabalho sempre e o português queria apenas ser patrão.)

A Internet, na qual navego desde meados de 2007, me deu oportunidade de conhecer negros de alto valor, guerreiros ativos armando trincheiras em favor de uma ampla justiça aos descendentes dos primeiros escravos que aportaram nas terras de Vera Cruz, inclusive com a doação de lotes de terra, indenizando financeiramente as famílias afrobrasileiras. Soluções (?!) desse tipo acabam no terreno das utopias, até porque italianos, alemãos, poloneses, etc, passaram por situação semelhante... além dos oportunistas que somente agora "vestem a camisa" da negritude, visando as possíveis benesses que uma necessária revisão do Passado (e correção) venha trazer para os afrodescendentes.

O Futuro a Deus pertence... meu artigo -- cujo título expõe latente preconceito, tão comum às "chulas" de Capoeira, não sei bem porquê! -- só pretende <b>recordar os Negros que passaram por minha existência. </b>Infelizmente, nada fiz por êles -- muito pelo contrário, eu diria! -- e hoje, aos 58 anos, reconheço que pouco fiz até por mim mesmo.

Mas, relembrar suas figuras é <b>homenagear um povo inteiro de trabalhadores decentes e modestos</b>, que mais de 400 anos de perseguições e injustiças "transformaram" em vagabundos e ladrões. Contudo, tanto fotos quanto estatísticas provam que o dito popular de que "nas cadeias só há preto, pobre e prostituta" desmerece a etnia negra como um todo... além do velado preconceito inerente à conclusão.

Pesquisa feita nas delegacias de Belém do Pará nos anos 90 (em 1998, salvo engano) encontrou apenas 3% de mulheres -- nenhuma delas presa por prostituição que, aliás, nem é crime -- e menos de 20% de negros declarados. Ainda que morenos e mulatos se digam brancos, qualquer foto de uma prisão atual ou daquela época apenas comprova que, enquanto os Negros trabalham, o resto do país os difama.

Mineira de Conceição do Mato Dentro, minha mãe Apolônia descende de negros e eu fui batizado por um, o famoso "padrinho" Ferreira, velho sacristão da paróquia de N. S. de Copacabana entre os anos 50/60 (eu o encontraria, nos anos 70, numa igrejinha da rua Domingos Ferreira) e testemunha improvisada de meia centena de batismos de nenéns, tão pobres quanto eu fui. Uma amiga de minha mãe, dona Iracema, nos serviu de madrinha. Dona "Maria", como chamavam à minha mãe, jamais aceitou o tratamento especial que davam, na casa dos patrões dela, para uma "yayá" de nome "Nenê", babá de todos os filhos da rica família Campos de Mello, num luxuoso "apê" na Galeria Menescal, em Copacabana. Esse mal contido desprezo ela destinaria a todos os da mesma côr que lhe cruzariam o caminho, após sair da mansão, depois de 22 ANOS à serviço da família. (Adiante, quando precisei de uma declaração de tempo de serviço, para aposentar minha mãe, a família recusou-se a dar. Nessa bela "democracia" chamada Brasil, outras 3 tentativas também foram frustradas por mera burocracia e dona Apolônia se foi, aos 92 anos, sem ter direito a mísera aposentadoria.)

A Paróquia de Copacabana tinha uma bela creche, sustentada pela colaboração das fièis cristãs, onde as crianças pobres ficavam o dia todo. Lá conhecemos Vera Lúcia (Regina dos Santos, segundo meu irmão gêmeo) que, tempos depois, se juntaria a nós num internato de freiras em Santa Catarina, levada por nosso pai, que sequer quitava corretamente as nossas mensalidades e despesas. Vera Lúcia era uma "girafa" sempre sorridente, enormes dentes a exibir para tudo e para todos. Se ficava triste ninguém sabia... era um sol negro a iluminar onde estivesse. Talvez seguisse a tradição do Negro angola, que enganava a própria dor sorrindo. Dez anos depois eu conheceria Bebeto Monsueto... mas isso é outra história. No colégio interno, nas redondezas, creio que no município inteiro de Itaiópolis/SC de gente negra só havia ela e sua irmãzinha, da qual não lembro o nome.

Minto: entre os alunos externos havia um certo Arlindo, um tipo meio indiano, misto de índio e negro, rosto comprido, cabelos lisos quase cobrindo os olhos fundos, o uniforme sempre cheirando a fumaça. Arlindo vivia isolado de todos, nunca o vi conversando ou jogando "búrica". Vera Lúcia e sua irmã estiveram em Rio Negro/PR... não sei onde ficaram, nem sei para onde foram depois. Talvez tenham regressado ao Rio de Janeiro, o frio paranaense não era nada agradável. Por falar em negros, nosso primos (adotivos) Osmar e Ivone tinham traços negros e nosso tio José era o único homem de côr entre meia dúzia de irmãos brancos.

Em fins de 1967 ou meados de 1968 eu voltei ao Rio, para o morro onde nasci... numa viela de barracos com famílias negras pelo nosso lado e gente tipicamente nordestina na parte mais alta. No barraco vizinho ao nosso vivia dona Lourdes, uma "madame" séria, de 1,80m e porte de rainha zulu, olhos negros raiados de sangue, que te atravessavam até a medula. Macumbeira convicta, defumava sempre a casa, "charutava" os 4 cantos e tinha um longo caso com um português de meia idade, que a visitava 3 ou 4 vezes por mês. No seu toca-discos rodava Elza Soares, Ataulfo Alves, Roberto Silva, Amália Rodrigues e Fernando José, Altemar Dutra e Aguinaldo Timóteo em seus primeiros dias... só música de qualidade. Do nosso lado da fina parede de madeira rock e blues o ano todo, mas ela nunca reclamou. Tinha um vira-lata de nome "Cherry", eternamente preso numa corrente e foi a primeira pessoa a se mudar lá do Morro. Adiante sairíamos todos... na marra e sem 1 centavo de indenização por parte da imobiliária que "comprou" o morro quase inteiro.

Nos barracos próximos ao nosso, o sambista "Pauzinho" e dona Ivone, (pais de Sandra, adiante "Sandrão"), logo depois morava seu "Bené", dona Conceição e 2 filhos. Sandra foi paixão de jovem jamais correspondida. Eu brincava de "cavalinho" com ela... a levava nos ombros pra lá e pra cá, minhas mãos apalpando as pernas grossas, a cabeça cheia de "minhocas".

Atrás de nosso barraco, na parte de baixo, morou por longo tempo a dona "Déria" (seria Adélia?!) e seu neto meio malandro vulgo "Nendengo". Do canto da casa eu espiava a vovó "Déria", numa pobreza extrema, o ano inteiro com a mesma saia longa e negra de poeira e carvão, a cozinhar num latão posto sobre 4 ou 5 pedras os restos de legumes e verduras que conseguia no final das feiras. Os 2 desapareceram sem deixar rastros!

Por volta de 1969 comecei a frequentar a quadra de samba ("terreiro") do bloco carnavalesco local, para jogar bola quase que o dia todo, pois passava boa parte do ano desempregado. Nas "peladas" conheci o Maurício (vulgo "Ningo") e o endiabrado Donizetti, prova viva de que o Negro nasceu para o futebol. Baixinho e entroncado, sem pernas tortas, "Doni" era um Garrincha de dribles secos, domínio total da bola (e do adversário), impossível de ser marcado. Melhor que êle só mesmo o Joel, de quem falarei adiante.

O Morro dos Cabritos tinha uma "geografia" curiosa, inexplicável para a maioria: na parte de baixo da rua principal poucas casas, barracos espaçados, amplas áreas desocupadas. Na parte de cima, barraco sobre barraco, nenhum espaço à vista (exceto a escadaria) e, no final da rua, mulatos e negros atulhados, enquanto logo abaixo deles casario de alvenaria bem pintado e gente muito branca, portugueses em sua maioria, numa convivência sem problemas.

A "pelada' oficial era sábados e domingos pela manhã, só com adultos, um pessoal que vinha sempre do "Ninho das Cobras" e de outro local do morro chamado de "Cantão" ou "Bica". Havia uma certa rixa entre os moradores de nossa parte do Morro (malandros ou não) e o pessoal que habitava o início da rua, bem no final da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana/RJ. Joel, na faixa dos 16 anos, era escalado num dos times, êle preferia o do "Marocas", cacique da malandragem local. Exímio em todos os fundamentos do futebol, malabarista da bola (e isso em 1969/70) o moleque negro, comprido e desengonçado, dava "chapéus e lençóis" em quem vinha pela frente, menos no Marocas, é claro. Um dia até tentou... acabou pregado no barranco ao lado devido a um "esbarrão" que lhe abalou 3 ou 4 costelas. Não tenho receio em dizer que, jogando descalço, Joel causaria inveja até no Pelé: tinha "lanchas" tamanho 44 ou 46 no lugar dos pés e, com elas, fazia o "elástico" (levar e trazer a bola "colada" no pé) e dava "canetas" (passar a bola por entre as pernas do marcador) rindo. Costelas à mostra, tinha fôlego de jaguar, corria horas a fio, escalado em 3 ou 4 times seguidos. Junto com o Apolinário, resolvi desafiá-lo para uma corrida nas areias do Posto 3. Passei vergonha, quando cheguei bufando nos 70 metros, Joel cruzava os 100... e de costas, rindo da minha cara. Apolinário, mineiro engraçadíssimo e com bolsa de atletismo na Gama Filho, não se saiu melhor do que eu.

O "tampinha" "Segunda-Feira" provavelmente também jogava... mas era como "secretário" do malandro-mor "Marocas" que êle marcou sua passagem na Terra. "Sombra" inseparável do chefe, viveu para servir o sujeito, prepotente e temido na área, embora jamais o tenha visto com uma arma. Aliás, na época, ninguém ostentava revólver, atitude que só vim a conhecer em 1983, quando fui barrado no Morro do Pavãozinho por um jovem negro de uns 15 anos. Forcei a passagem -- tinha ido convocar um dos jogadores do meu time de praia para importante partida -- e o rapazote abriu o casaco de couro e exibiu reluzente 38. Em seguida, mandou um dos seus amigos ir chamar o Manoel. Dei uma tremenda "bronca" no menino, que não me avisara como estavam as coisas lá no morro. Alguns anos antes (1975?)frequentamos o mesmo local, visitando um grupo de Capoeira da mestra "Sandrinha", sem ter tido o menor problema. Nele, o contramestre negro tocava pandeiro apenas com parte do braço amputado. Coisas da Vida!

Nessa época, 1968/69, as apresentações do bloco Unidos da Vila Rica na quadra de samba (a mesma do futebol, bem ao lado de nosso barraco) tinham um personagem curioso: um dos primeiros "gays" da cidade, provavelmente o único do Morro inteiro. Careca, gordinho e já beirando os 40 anos, Pedro Paulo "arrasava", criando na hora "coreografias" que o resto das sambistas procurava imitar. Normalmente se sambava em imensa roda e só íam para o centro dela as cabrochas que realmente "se garantiam" na ponta do pé. O ambiente machista das favelas por certo o incomodava e êle, assim como surgiu, desapareceu em pouco tempo.

Tempos depois, saído dos Correios no qual trabalhei entre 1969 e 71, entrei como guarda de segurança na Mesbla, no shopping Rio-Sul. Lá eu conheceria outro "gay", jovem de uns 16 anos, de nome Jorge e que tudo leva a crer (pela semelhança física) seria anos depois o famoso Jorge Lafond, a "Vera Verão" do humorístico "A Praça é Nossa!", da TV SBT.

Mas, nos Correios (na época DCT) eu conheci PELÉ... é, nem eu mesmo acredito se isso foi real ou se talvez eu tenha feito alguma confusão. E agora, José, digo... Edson?! Por volta de junho de 1969 havia um posto de gasolina (depois virou hotel) na esquina das ruas Barata Ribeiro com Siqueira Campos e, no prédio em frente, lá pelo 5º ou 6º andar... Edson Arantes do Nascimento, ou um irmão dele, talvez o pai "Dondinho". Entreguei-lhe o telegrama sem dar importância ao nome do Rei. (Em 69 já era Rei do Futebol, com certeza!)

Explico: entre 1961 e 64 vivi num colégio interno de SC, sem rádio, jornais TV, nada. Entre 1965 e 67 estive em outro colégio interno no Paraná, nas mesmas condições. Em 1968 cheguei ao Rio e, no Morro, não tinha nem radinho de pilha, quanto mais TV, cujo preço era o de um carro médio. Daí, não ouvira mesmo falar sequer de Copa do Mundo, quanto mais do Pelé. Só nos maravilhosos dias de junho/julho de 1970 vendo TVs (das lojas) na rua pude identificar o destinatário daquele célebre telegrama. Resta saber se Pelé vai confirmar minha história.

Pelo menos, ainda estafeta em Copacabana, cheguei bem perto disso: um senhor tipo italiano, cabelos grisalhos, precisou de minha ajuda para localizar algumas empresas do ramo de tintas. Era, segundo êle, sócio de Pelé numa fábrica de plásticos e até me deu um cartão de visitas dele, não lembro mais o nome.

Lá por 1972 saí da Mesbla e fui trabalhar numa consertadora de TVs em cores PHILCO, as primeiras do Brasil, ainda no bairro do Leme. Saía a pé do Morro, 2 km e meio de caminhada. A volta era ainda mais difícil, estava exausto... ou por ficar em pé o dia todo, enquanto segurança, ou por caminhar o dia inteiro, como ajudante do técnico em eletrônica Roberto (salvo engano), espécie de Martinho da Vila, charmoso e bem falante.

Na ruela da loja conheci Sônia, meu primeiro amor verdadeiro, talvez o único. Nosso namoro não durou 3 semanas, fofocas das vizinhas do prédio, onde trabalhava como babá, fizeram a mulata de 15 anos ser demitida. Sônia parecia muito com Thaís Araújo, nos primeiros dias desta, atuando como Chica da Silva. Desse amor juvenil sobraram apenas músicas... e as lembranças que uma paixão avassaladora produz, por toda a Vida.

Em 1973 entrei na SBCI, a famosa escola de idiomas CULTURA INGLESA, o melhor emprego que já tive, superior ao na MRN, esse por volta de 1978. Na filial Centro havia um negro gordo e bonachão, espécie de Rei Momo, uma figura agradabilíssima e que era um cozinheiro de primeira linha. "Seu" Vicente simpatizou com o office boy favelado e, toda tarde, o tirava de qualquer tarefa burocrática para ir comprar os queijos-prato para o lanche dos funcionários. Era como entrar no Paraíso: êle deixava a parte final de cada pacote para mim e me preparava um "sanduba" gigante, todo êle de queijo de alta qualidade. Era meu momento de cidadão de 1ª "crasse"... quase me sentia um magnata! Como já tinha uns 45 anos, dificilmente estará vivo! Nessa época descobri a Capoeira... através do "Rubinho" (depois, R. "Tabajaras") que me levava para ouvir em sua casa LPs clássicos dos mestres Caiçara, Camafeu de Oxóssi e Pastinha, esse quase "grego" para mim, no ínício.

Rubinho, exímio percussionista, me deixou gravados em fita cassette os mais de 10 toques de berimbau que conhecia, além de me ensinar a montar um, com todos os macetes e detalhes, enquanto praticava com meu irmão "Leiteiro" movimentos e golpes da dança-luta.

Rubinho era amigo inseparável do "discjockey" (ou DJ, hoje MC) Nei e do "Marcha Lenta", o cabelo black mais "armado" de todo o Morro dos Cabritos. Nei, o que tinha em tamanho lhe sobrava em charme... era figura meio estranha numa favela só de broncos, de um machismo empedernido. Mas, como animava os bailes jovens com som (discoteca, é claro, James Brown sobretudo) e iluminação, era muito querido.

Ainda nesse período (1973?) surge no Morro um professor de Capoeira de nome Eugênio, bigodinho de jogador de "ronda" (espécie de 21 ou "pocker") e um ar malandro que inspirava pouca confiança. Exímio angoleiro, Eugênio prepararia os primeiros "capoeiras" que desceriam do Morro diretamente para o Grupo Senzala, logo abaixo. Ficou pouco tempo (até onde sei) e abriu as portas para a vinda de um certo Gilson, já com o nome de LUA, mas ainda sem a fama de mestre -- de canto, percussão, folclore... e tudo o mais -- que adquiriria dentro do Grupo Senzala logo depois.

Para nós, no Morro, foi uma festa... aprendemos um bocado com êle apenas o vendo, seu exemplo era por si só uma aula de tradição e NEGRITUDE, bandeira viva das coisas e raízes da Mãe-África. E, com êle, viria... "BEBETO" ! Bebeto Monsueto me tomaria um livro inteiro, mas quem quizer conhecer ao menos um pouco do que era/foi essa figura negra sem igual na vida dos cariocas de boa parte da Zona Sul procure ler no portal PT.NETLOG (ou no site cultural OVERMUNDO) o texto, com muitas fotos,<b> "As peripécias e desventuras de Bebeto e Leiteiro no Rio de Janeiro", </b>escrito por "Leiteiro-Mister".

De minha parte, praticamente não convivi com Bebeto, vi-o meia dúzia de vezes gargalhando, com meu irmão, de tudo e de coisa nenhuma. Feliz com 1 copo de cerveja na mão esquerda, sempre ela, o dedo mindinho em riste, Bebeto "bebericava" por 40 minutos meio copo de "cerva", seu prazer era sentir-se bebendo, rindo sem nenhuma vergonha de quase tudo. Só lamento que, num azíago dia de agosto/2009, ao incendiarmos todo o nosso Passado (em fotos, revistas, livros, jornais, etc) se tenha destruído fita cassette gravada por mestre Lua (berimbau e kalimba) e Bebeto (violão e atabaque) nessa época (1975?) em nosso barraco, registro único de 2 gigantes do folclore afrobrasileiro num confronto de habilidades e conhecimentos jamais repetido.

"<b>Nada vale nada..." </b>cantou desesperada Janis Joplin e, aqui no Pará, onde só se valoriza a Política(lha) local, qualquer um aprende isso em 6 mesesEm 1976, já frequentando como espectador aulas e eventos do Grupo Senzala -- tanto na academia de me. Peixinho, quanto no Clube Guanabara e CEU, com me. Camisa -- acabei tendo que servir à Pátria amarga, Brasil! Pura perda de tempo (e de dinheiro... fôra convocado por empresa de vulto, mas o Exército não me liberou) e o que não faltava no imenso quartel era serviço, daí o nome do "troço". Capinas, pintura de alojamentos, trabalho na cozinha, como pedreiro, carpinteiro, mecânico, etc.

Aprende-se a tomar banho em 2 minutos, vestir-se em 40 segundos, demos exatos 3 tiros de fuzil velho... e só. Infelizmente, essa Ditadura mal disfarçada que é o Brasil me impede de contar o que vi e vivi no quartel. Basta citar que, num treino de guerra, os recados enviados por nós de uma trincheira para outra eram escritos EM 3 VIAS e com uso de papel carbono. Resta-me a lembrança do sargento Paulo, sempre elegante, cabelo impecável (ao contrário do corte "em cuia" dos demais), rei francês no trato com os recrutas e os soldados. A estas horas, se continuou no Exército, já deve ser um general negro, um dos poucos desse país de brancos, boa parte deles ladrões, patifes sem conta a encher cuecas e meias com o dinheiro do povo... em Brasília ou fora dela. (Não se trata de "racismo inverso" de minha parte, é apenas constatação.)

De 1977 até 83 minha vida foi só praia, rock, futebol e Capoeira... virei bancário (office-boy, na verdade), ganhava razoavelmente e bancava torneios de "pelada" na praia, no Posto 3. Acabei "técnico" de 2 ou 3 times juvenis sem entender bulufas dos têrmos técnicos e das posições dos jogadores. Um jovem atleta negro, excelente ponta do juvenil do Juventus EC me ensinava essas "coisinhas". Carlos Tetéo acabaria no Pará... virou oficial da Marinha e o escalaram para servir em Belém, isso uns dez anos depois de eu me mudar para esse "Inferno quase nada verde".

Recém-saído do quartel, mandando e desmandando nos "meus torneios" acabei apelidado de "General"... mas no tradicional time do Juventus EC não fiquei nem 2 meses, boa parte dos garotos maiores não passava de vândalos ou quase isso. Mesmo assim, cartas minhas pedindo patrocínio conseguiram para o time barracas e guarda-sóis, de uma empresa de serigrafia chamada UNIJOVEM. Essa empresa da Zona Norte apoiaria adiante meus torneios mirins no Posto 3 da praia de Copacabana, Parte dessa "saga" pode ser lida em "Eu inventei o Rock'n Rio" e na crônica "Eu inventei o golzinho", ambos no megasite OVERMUNDO.

Foi nesse período. 1978 suponho, que conheci Jorge, um paraplégico muito pobre, na faixa dos 17/18 anos. Vivia só de short na cadeira de rodas sem estofo nem conforto algum e, em alguns momentos, desenhava a lápis. Castelos quase sempre, êle que nem casa tinha... dormia sob marquises, sem cobertor nem nada. Dei-lhe esperanças: iria colocá-lo numa escola de desenho e pintura. Consegui, enfim, mas era em Ipanema, longe demais para se ir de cadeira de rodas. Jorge foi ficando à beira de nosso grupo de "pelada", sem ninguém para lhe dar um minuto de atenção. Felizmente as coisas estão mudando para esse enorme contingente humano... até na Capoeira já se vê deficientes físicos praticando-a.

Por falar em Capoeira, assisti na primeira fila os belos tempos do Grupo Senzala, numa Capoeira africaníssima, graças a Cláudio Moreno (sempre na percussão), Garrincha, "Feijão", "Pelé", "Chaminé", Washington, o próprio Lua Rasta vez ou outra, a baianidade presente em mestre Camis(inh)a, Baiano Anzol e em quase todos os que assistiram ao <b>renascer da Capoeira </b>contemporânea, hoje em tantos países.

Nosso modesto registro filmado no bairro de Santa Teresa entre 1977 e 78, meros 15 minutos, hoje está na Internet -- com o título de "A Melhor Capoeira do Mundo", pura verdade, na época -- graças ao menino negro que iniciou no Morro com me. Lua em 1975 e hoje faz história na Europa como mestre "GUARÁ", êle próprio oriundo da Senzala. (<b>Foram precisos mais de TRINTA ANOS </b>e a boa vontade de um sujeito do outro lado do Oceano Atlântico para que essas imagens ímpares pudessem ser apreciadas.)

A praia de Copacabana era minha casa... nos fins de semana "pousava" nela às 8 da manhã e só saía lá pelas 3 da tarde. Subia o Morro correndo para almoçar e descia para a praia às 5, ficando até 10 horas da noite em conversa com os amigos. Velhos tempos, belos dias... de negro só Luiz Guilherme, um jovem paraense tentando a sorte no Rio. Fez de mim remista (ai, ai, como dói!), eu que nem sabia da existência do "Leão" do Norte. Nos times que dirigi praticamente não havia negros, nos torneios que fiz também não. O Morro só "descia" para a praia lá pelas 14 horas, em times fechados, só deles. Curiosamente, um dos times "classe média" da praia era dirigido pelo folclórico "Tião Macalé" -- ô, crioula difícil! -- que entendia muito de futebol e dizia, aos berros, palavrões cabeludos para quase todos à sua volta. Mas, além de humilde (detesto essa palavra!) era ótima pessoa, conclusão fácil após poucos minutos de conversa com êle. Viveu (e morreu) pobre, naqueles tempos a TV Globo era bem "econômica" com seus astros maiores.

Desempregado desde meados de 1982 decidi ir pro Pará, a convite do irmão mais velho. Mas, pouco antes, marquei um jogo do Força Jovem FC com o time mirim do jogador Adílio (dirigido por um certo "Zézinho), um dos meus ídolos no Flamengo. Perdemos por 2x1 em Copacabana e, na revanche, lá no Leblon, Adílio apareceu para me presentear com sua camisa 8 oficial, glorioso meio-de-campo, minha posição favorita. Ficou pouco tempo assistindo, estava indo para a concentração, era sábado de tarde. Me "intimou" a assistir na Cruzada S. Sebastião -- onde morava num modesto "apertamento" -- a missa dominical a seu lado. Paguei o "mico" de fazê-lo dar seu autógrafo numa foto minha... haja coragem. Jamais usei a camisa! Doze anos depois a situação apertou e eu vendi aquela relíquia por 90 reais... soube depois que o irmão do sujeito vestiu-a na mesma semana da compra.

E chegamos na Amazônia... desembarquei em 9 de dezembro de 1983, às 4,30 da madrugada, a Rodoviária era um "mafuá" horrendo, abarrotado de barracas por todos os lados. Apenas 11 dias depois o irmão rico me jogaria num sítio de 3 km de extensão, sem luz elétrica e sem mais nada onde -- com minha mãe e o irmão gêmeo -- iniciamos uma saga que está quase toda registrada (em forma de contos) no livro virtual QUASE NADA... (http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com/) e também em diversas crônicas postadas no megasite cultural OVERMUNDO.

Num povo de origem indígena ou nordestina quase todo mundo é negro... ou perto disso. Contudo, destaco nesse texto apenas os Bandeira -- uma família de maranhenses admiráveis -- e o flautista "Ramiscléin", irmão (ou primo) do Jorge, um ajudante que tivemos no citado sítio. "Ramiscléin" mereceu um "conto" só dele, que sugiro ser lido com atenção, pelas "excentricidades" contidas na estória.

( <a href="http://www.overmundo.com.br/banco/o-rabo-do-tatu"> )

Suponho que o estranho apelido lhe coube por receber as pessoas falando um "portinglês" muito curioso. Com flauta de tubo de PVC (cano d'água) o sujeito era um virtuose completo, um verdadeiro espanto. Essa inclinação para as artes é qualidade inata da maior parte dos amazônidas, dom esse tratado como coisa menor, abandonado ou mesmo esquecido com o passar dos anos. Com um governo menos cego, a Amazônia deixaria de exportar madeira ou minérios para, enfim, enviar para o Mundo inteiro todo tipo de arte, escultura, artesanato, pintura, etc.

A Família Bandeira era composta por meia dúzia de filhos, todos homens e todos excelentes jogadores de futebol... iam do louro sarará ao preto retinto, boa parte trabalhando comigo (ou para mim) no sítio, nos primeiros dias de 1984. Por volta de 13,30hs de um sábado de fins de janeiro o irmão rico chega de jipe na fazendola e encontra os empregados todos ao redor de uma churrasqueira, almoçando. Demite o grupo inteiro, para minha vergonha... adiante recontrataria "Cacá" Bandeira que, aliás, trabalhava por 5 e "ralou" meio ano a meu lado para realizar o sonho do patrão endinheirado de transformar um "areial" cheio de escorpiões e formigueiros -- em apenas 3 meses matamos 32 cobras ao redor do casarão de 134 telhas de amianto -- em um sítio produtivo e lucrativo.

Inscrevi "Cacá" para participar comigo numa corrida de 10 km, da prefeitura local... não aguentou nem 5, sumiu num bar quando voltávamos para o centro da cidadezinha. "Seu Raimundão", pai deles com a simpática dona Ana, passou vexame inesquecível por minha causa. No meu derradeiro torneio oficial de futebol infantil, 32 times em 3 campos próximos, contratei "seu Raimundão" para apitar um dos torneios. No meio da tarde, após 3 queixas por pais diferentes de que "o velho marcava tudo errado" me vi obrigado a substituir o respeitável senhor pelo jovem (e abusado) irmão de um dos jogadores em campo. Só ao final de tudo me dei conta da gafe que cometera com o pai dos amigos de "pelada" do Vasquinho FC. Coisas da vida!

Em agosto de 1986 largamos tudo no sítio e nos mudamos para a periferia da capital, voltando a vender jornais -- nossa última função, no Rio -- para sobreviver e iniciando contato com capoeiristas de Belém, alguns dos quais meu irmão conhecera em 1981, quando visitou a cidade. A Capoeira, que no Rio era fonte de prazer e lazer, aqui no Pará só nos deu decepções e dissabores... mas não posso deixar de ressaltar os nomes de pessoas que nos ajudaram, colaborando com nossos ideais. Em meados de 1987 eu, que me descobri "escritor" no sítio -- graças ao incentivo do poeta José Ildone, professor e ex-prefeito da cidade -- passo a participar das reuniões da APE - Assoc. Paraense de Escritores na capital, enquanto meu irmão visita (e contacta) quase todos os grupos de Capoeira ativos em Belém e cidades vizinhas. Foram tempos de poesia e sonhos para mim, com o fantástico Lucinerges Couto travando todas as batalhas em prol da cultura de Ananindeua, município no qual morávamos. Com traços árabes, o poeta e atleta Rufino Almeida apoiava nossos primeiros passos, com a simpática participação do veterano escritor "ananin" Eron Carvalho e do advogado Armando Néri. O grupo criado por Lucinerges em 1988 (o ALA-A) se desfez pouco depois, mas um autor iniciante, vulgo "Baiano" (Francisco... de tal) lançaria conosco seu livro de crônicas 'Um ca(a)tingueiro na Amazônia", apesar da tragédia pessoal que o envolveu. A "história" da edição desta obra merece ser contada algum dia, como prova de que bairrismos tolos podem levar uma pessoa à extremos.

Em 1989 eu conheceria os 2 nomes maiores desta vilipendiada Arte-Luta -- convocado por êles mesmos para auxiliá-los -- e constataria que não passavam de ilusões, com pouca ou nenhuma dedicação e uma incompreeensível fama sustentada por quase todos durante mais de 30 anos. (Embora a Internet atual trate qualquer verdade como DIFAMAÇÃO, ainda assim pretendo contar meus dias com os dois "artistas" em... "Os 2 Santos de Belém".)

Das figuras negras que vale a pena citar -- por seu comportamente e, em alguns casos, por seu trabalho efetivo -- me recordo do "Mundinho" no SESC-Doca e seu irmão (ou quase isso) "Bira do Marajó", o falecido "Brinco Dourado", o sumido João Mineiro, o ativo "Laíca", os irmãos-professores "Rai" e Nonato, mestre "Sapo", o fotógrafo capoeirista a quem muito devemos Antônio José "Brás" Bahia e o polêmico Sérgio Nazaré "Zumbi", que "cruzou nosso caminho" algumas vezes... e nós o dele.

Faltou alguém?! Sim, 3 espertalhões ingratos -- um, nem praticante era! -- que se aproveitaram da Capoeira na época,  denegrindo-a sem hesitação nem remorsos e envergonhando uma raça inteira que tem na Arte sua bandeira de luta e simbolo maior de resistência, contra tudo e contra todos.
"Reinaldo" ou "Norberto" (às vezes usava os 2 nomes juntos) "contratava" grupos de Capoeira e, a partir deles, conseguia verbas e vantagens en orgãos públicos e prefeituras. Numa placa, num centro comunitário aqui do bairro onde moro, chegou a citar como ativos meia dúzia de "grupos folclóricos" afros, todos fantasmas. Era pouco: de posse de atas das reuniões do tal centro falsificou assinaturas para tornar-se presidente do mesmo. Por onde anda?! Não sei e nem quero sabaer!

O outro traste, vulgo "Angoleiro", patinava nas rodas e chegou a receber -- dos alunos de Capoeira de uma entidade afro -- o apelido de "mestre-fedor", graças ao "chulé" que exalava de seus pés. Quando foi feito "mestre", por JRS de calça lee e camisa florida, em nov./1989 na extinta Academia Só Êle/Só Ela, tivemos que lhe emprestar "abadá" e camiseta... tal mestre (?!), tal aluno! Usava nas rodas a corda de mestre na testa ou amarrada graciosamente numa das coxas. De um amigo ouvi, diante daquilo, que sua roda "para ser Circo precisava apenas de uma lona"!

O terceiro, o esperto "Julinho", foi a desgraça maior desta "triste terra de tanga", expressão criada pelo escritor paraense já falecido José Luís Coelho. Todas as coisas erradas que se pode fazer numa atividade qualquer este irresponsável as cometeu. No caso dele, punha qualquer iniciante para dar aulas no seu lugar, já no 2º dia ou na 2ª semana. "Julinho" conseguiu a façanha (?!) de fazer um mestre baiano de renome nacional cruzar mais de MIL KM para vir conhecer a "maravilha paraense", até porque abdicou de sua origem carioca pois, segundo êle, (isso nos dito em abril/1987) "o Pará lhe deu tudo!" O conhecemos nessa noite esbravejando contra um grupo inteiro de capoeiristas porque... o aluno que deixara no local (dando aulas em seu lugar, é claro!) abandonara tudo e um outro instrutor ocupara o prédio do tal centro comunitário.

A partir de meados de 1989 -- após a criação de um centro cultural (CCCP) em junho de 1988 -- promovemos algumas apresentações de músicos e artistas locais, além de capoeiristas, em escolas do bairro e na praça central, na Cidade Nova 4. Nessa época "Marimar", o prof. de violão Mário Marques, me apresentou um motorista da linha de ônibus Maguari (cujo ponto final ficava ao lado de sua casa, no bairro Guajará) que era exímio violonista de música clássica, um verdadeiro espanto. Recusou meu convite para nosso primeiro show num teatro de Belém, assim como vários outros apalavrados comigo não compareceram, como o modesto "Laurentino da Gaita", hoje famoso na capital. De negros nos meus shows só o criativo "Luizinho Reggae", letrista admirável de quem nunca mais ouvi falar e o baterista Carlos, que encontro sempre pelas ruas, trabalhando como pedreiro e coisas semelhantes. Guardo na memória apenas a imagem do rapaz tocando violão, num intervalo entre as viagens. Em nosso derradeiro evento (abril?, 1992) no CENTUR, consegui colocar no palco um flautista baiano que "transformava" música popular em erudita, cantigas de roda, cirandas, etc.

Ainda nessa época, 1990, conseguimos um espaço entre os artesãos da Praça da República. Nosso objetivo era divulgar fotos, discos e livros de Capoeira, além de contactar grupos e de reunir na praça praticantes e admiradores. Pagamos um mês e ficamos apenas 2 domingos, a responsável pela locação das barracas (uma certa Maria José) fez de tudo para nos dificultar a permanência na Feira de Artesanato. Mas, conheci nela "seu Vanderlen", sujeito bonachão e sorridente, às voltas com selos e moedas antigas, um verdadeiro tesouro. Gaúcho dos bons, era um ótimo "papo" e me é uma lembrança inesquecível. Ficou uns dez anos no Pará e voltou para a sua Porto Alegre... onde certamente mantém seu hobby favorito.

A partir de 1993 tanto eu como meu irmão "Leiteiro" ("Carioca", aqui em Belém) nos desligamos de quase tudo o que era cultural. Êle sustentou -- com a preciosa ajuda do prof. "Laíca", do "Brás", entre vários outros mais -- roda dominical de Capoeira na Praça da República até meados de 1996, encerrando por fim um período do qual nada sobrou, não ficou um só resquício do nosso imenso trabalho de divulgação da Capoeira , 23 reportagens/notas nos jornais de Belém, 5 páginas inteiras, mais de 300 fotos de Batizados nos grupos da capital e muito mais, que a crônica "CCCP - LUTAS E REALIZAÇÕES" faz questão de registrar em meu blog pessoal no site PT.NETLOG.

De 1994 em diante passei a me dedicar somente à Literatura, primeiro como poeta, adiante como escritor. Foi assim que conheci Carlos Correa (Santos) que, em seus "Café com Arte" divulgava músicos e escritores de todas as cores. Carlos Correa, hoje famoso, fez pela Literatura da Capital bem mais do que os órgãos públicos da época. É pena que uma idéia tão boa nunca mais tenha se repetido... não é a toa que dizem que "Belém é a terra do já teve!"

Por volta de 1999, por intermédio de uma revista literária gaúcha salvo engano, o escritor e professor Nelson Hoffmann, prefaciador de meu (futuro) livro de contos "QUASE NADA..." O prof. Nelson me apresenta João Weber Griebeler, autodidata em quase tudo, dono de um jornal em Roque Gonzales/RS e que produziu mais de 30 coletâneas de prosa e poesia, tendo lançado perto de MIL AUTORES amadores, inclusive eu. "Tio João" é o orgulho de uma cidade inteira, tanto por sua cultura quanto pelo altruísmo de seus atos. (Se o mulato ex-metalúrgico Luís Inácio gostasse tanto de livros quanto gosta de viagens, o negro João Weber -- entre milhares de outros produtores culturais -- teria tido algum apoio federal, em 5 anos de "coisa nenhuma" em têrmos de Artes e Literartura.)

Afastado da Capoeira local desde 1993, quando meu irmão Renato quase foi morto a pauladas pelo tal "mestre-patinador", tive na Internet -- na qual estou desde junho de 2007 -- espaços e leitores para meus poemas e artigos e angariei amigos de todos os lugares. Entre êles destacos André Pêssego e o músico "Spírito Santo", ambos negros de reconhecido valor, os dois defensores ferrenhos do folclore e das tradições trazidas da África e "diluídas" aqui, provavelmente por levianos e oportunistas.
        "NATO" AZEVEDO -- (novembro/2010)
NATO AZEVEDO
Enviado por NATO AZEVEDO em 01/12/2010
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Sobre o autor
NATO AZEVEDO
Ananindeua - Pará - Brasil, 62 anos
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