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          A vingança das serpentes

     Acho o Gênesis uma leitura fascinante.
     Dos Livros do Antigo Testamento, ele é o que mais me  excita a curiosidade. E não é coisa d´agora. Vem de quando abri a Bíblia pela primeira vez. Eu ainda era bem jovem.
     Por que não outro Livro Sagrado? 
     Por que não o Cântico dos Cânticos, de Salomão, "o poema de amor carnal mais belo da literatura universal", segundo a opinião do escritor espanhol Juan Arias, em A Bíblia e seus segredos.
    Tudo bem. Mas é no Gênese que encontro assuntos polêmicos, tais  como a criação da Terra, a partir do nada; e o aparecimento do homem e da mulher: ele, Adão, tirado por Deus do barro; e ela, Eva, de uma costela de Adão!
     E ainda o dilúvio; a arca de Noé; e a torre de Babel; a instituição do casamento; o crime de Caim; e o Paraíso Terrestre, com a dramática expulsão de Eva e Adão do Jardim do Éden, participando desse esquisito episódio - embora de maneira estranha e nebulosa - uma serpente!
     E é à cavilosa serpe bíblica que dedico estas profanas linhas. 
     Começo, afirmando que o primeiro Livro do Pentateuco, contando a história de Adão e Eva, registrou, no meu frágil modo de entender e interpretar os escritos divinos, os momentos mais felizes até hoje vividos por um casal, neste planeta. 
    Adão e Eva, diz a Bíblia, com rasgos de ingenuidade, até "andavam despidos, e não se envergonhavam".   Legal, hein?

     Pois bem. Indiferente à celestial mordomia, Eva caiu na conversa de uma astuciosa cobra, e comeu a única fruta - uma maçâ? - proibida por Jeová.  
    Adorou a frutinha, e, imediatamente, a ofereceu ao seu maridinho. Adão, enlevado, não hesitou em comê-la...

     Naquele momento, ambos cometiam o pecado da desobediência, considerado imperdoável pelo Padre Eterno. 
     Ao bom, mas rigoroso Javé, não restou outra alternativa senão a de expulsar o casal desobediente do Jardim das Delícias, condenando-os ao sofrimento, conseqüência da aplicação de penas severas e eternas.
     Sobrou, também, para a serpente. Deus a castigou, dizendo-lhe: "Porque assim procedeste, você será maldita entre todos os animais." 
    (Para muita gente, nesta história, que se aproxima muito de uma bela lenda, a serpente simplesmente pagou o pato...   A Igreja tem buscado uma versão inteligente para justificar a participação da cobra, na transa que envolveu nossos primeiros pais.)
     Mesmo amaldiçoada, a serpente vem, através dos tempos, tentando, heroicamente, reabilitar-se perante a História.  
     
Ofereceu seu veneno para a produção do soro anti-ofídico. Um sucesso. Em outro momento, também doando seu veneno, pemitiu que se fabricasse uma prodigiosa cola, a ser usada em cirurgias profundas.
     Dia desses, consentiu que, com a ajuda do seu veneno, os laboratórios bolassem uma substância capaz de diminuir os efeitos danosos oriundos de complicadas cirurgias cardíacas.
      E agora - ouço no meu radio -  do veneno da perigosa cascavel, poderá surgir um milagroso analgésico. Os cientistas do Butantã asseguraram, que a nova droga deverá superar a morfina. Vamos aguardar.
     Vale  lembrar ainda, que o pessoal encarregado de cuidar da saúde - médicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros - traz no seu diploma e a identificar-lhe o anel, uma cobra!  
     É de se perguntar: Será a vingança das serpentes? É bom ver isso.



 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 15/10/2006
Reeditado em 08/08/2013
Código do texto: T264985
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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