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Reflexão Brasilis


Naquela tarde, Ele sentou-se às margens tranquilas do Genesaré. A brisa fresca, vinda do lago, balouçava suavemente seus longos e sedosos cabelos... 

os últimos raios do sol, mesclando-se com a fina e branca areia da praia, cintilava nas pequeninas pedras... 

dava-Lhe um aspecto fulgurante... 

os fios de sua barba reluziam no cálido e plácido entardecer. 

Seu olhar terno abarcou as imediações... 

As tamareiras estavam à florescer... 

ao longe o tinir do cincerro da ovelha madrinha, elas estavam a dirigir-se ao abrigo do redil... 

a noite estava prestes à cobrir com seu véu espesso a paisagem que ora se vislumbrava. 

Ao longe o latido de um cão... 

O pio estridente de uma ave O faz sair de seus pensamentos e retornar à realidade terrena. Por onde andaria seus pensamentos, em que mundo, estrela ou camada celestial estava Ele a navegar na busca de respostas. 

Ele sabia tudo, em que então, pensava. Talvez imaginando seu fim doloroso no madeiro rude... 

nas lágrimas das mulheres inconformadas com partida tão trágica... 

nos soldados romanos à proferirem chistes quanto sua condição de Salvador... 

Sua realeza, Sua entrega, Sua humildade.. . 

talvez na ignorância de Seu povo, mesmo com a vinda de João Batista, a abrir caminho para a introdução da Boa Nova...

na prepotência e arrogância dos sacerdotes de Seu povo... 

na submissão do povo, sob o jugo implacável e ameaçador das botas dos opressores...

ou ainda  na negação de Pedro, tudo isso Ele já sabia de antemão... 

a traição de Judas, o pensamento tacanho de seu apóstolo que imaginava que com a prisão Dele, o povo se revoltaria e com Gelfas, Dimas, Barrabás e outros descontentes pudessem libertar a Palestina... 

poderia raciocinar sobre a tola fé dos judeus em um Deus vingativo... cruel. 

Com sua capacidade angelical e seus poderes, arremete um pensamento dois mil anos além de Sua época e vislumbra um país além mar, um protótipo do Éden, onde se plantando tudo dá. 

Vislumbrou as terras, as águas, as riquezas, o povo cordato e ordeiro, crédulo e temente à Deus, os pretensos dignatários do poder... 

as artimanhas políticas, a enganação, a miséria do povo em um país rico, as crianças abandonadas, os velhos decrépitos amontoados em asilos, os orfanatos , as prisões superlotadas, a ganância, o ódio e a inveja, a luta pelo poder... 
nesse instante idealizou a Segunda parte da Oração Dominical. ( o pão nosso nos dai hoje, perdoai....)

Ergueu a santa cabeça, seus olhos castanhos escuros e semi amendoados ( não escrevi errado, ele era judeu, não um europeu) fitaram o eter infinito, havia uma ponta de amargura nesse bendito olhar. 

Baixou-a novamente, fitou as areias claras da praia e nesse momento, tendo a imagem desse tal país em mente, idealizou a célebre frase que iria proferir no ato de Sua crucificação: 

-"Pai, tende piedade, eles não sabem o que fazem!"

GDaun
Enviado por GDaun em 17/10/2006
Reeditado em 17/10/2006
Código do texto: T266361

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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