Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Fragmusicar

              Tem certos dias em que penso em minha gente e sinto assim o meu peito se apertar. Tanta gente diferente, sonhos desiguais, uns que vem outros que ficam. Procura-se um olhar que seja transparente, um lugar onde possa se ajeitar sem ter que muito explicar. Tem gente alegre, triste, desempregada, satisfeita, formada, desinformada, cabisbaixa, saltitante, tem gente nos cantos e arredores, tantos, e no entanto, solitários.
             Não sei onde estou... Embora sejam conhecidos os caminhos, veja em cada face um sorriso. Apertem as mãos, homens, crianças, mulheres , todos de olhares tantas vezes sombrios. São lojas, avenidas, ruas, praças, cines, teatros, galerias, praias, bares; uma cadeira, uma mesa, uma janela, pessoas, lugares , momentos apenas, que quase sempre levam ao mesmo lugar.
             Ando devagar porque já tive pressa... Depois de muito caminhar descobre-se que a vida não altera seus rumos, reconstrói destinos, alivia a carga dos seus caminhantes. Pelo caminho, todas as vezes que segue, apressadamente, um caminhante, sempre deixa este encoberto parte de si. Somente depois que se aprende a olhar ao redor, observar nos olhos, diminuir os passos, olhando à face do que vai ao lado, descobre-se que a vida é um bonde que sempre passa nos mesmos lugares.
            E a vida, e a vida, diga lá meu irmão o que é.. é a batida de um coração é uma doce ilusão... O que é a vida para que paremos e pensemos nela? Energia que nunca se acaba, calor que sempre nos aquece. É mar coberto de ondas, com sua idas e vindas, com seu constante girar em torno dos que nela acreditam. E passa a vida, doce vida rotineira, em que passos e compassos tantas vezes se descompassam. Vida cheia de mitos, ritos, tradições, culturas , Maria, Tião, José e João, sempre de coração e ilusão renovados em cada estação.
            Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos... não seria capaz de descrever a vida, os sonhos e sorriso dos que conosco já caminharam. Cada qual é uma vida, quantas línguas já nos levaram a uma avenida. Língua mãe, Flor do Lácio, repleta de variedades, coberta de enigmas, incapaz de desvendar os mistérios da alma humana. Implícita no desejar e explicita nas diferentes formas de amar.
            Não precisa dizer nada que você não queira dizer, para que mais tarde não venha a se arrepender... Os instantes são breves, a vida é longa, o caminhar constante. Os sentimentos e as emoções são bagagens sempre presentes nesta vida. Ouça com o coração, veja com as mãos, apenas sinta com a emoção. Não precisa dizer nada que você não queira sentir, apenas me olhe assim, porque tem certos dias em que penso em minha gente e me sinto assim, não sei onde estou, e ando devagar porque já tive pressa. É a vida, é a vida meu irmão, é a batida de meu coração, é uma doce ilusão, e ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos, não conseguiria me expressar totalmente, pois nestes dias, sou casa simples, com cadeira pelas varandas , flores tristes e baldias como a alegria que não tem onde encostar.
            E não precisa dizer nada que você não queira dizer, ou sentir, para que eu possa encontrar tudo, tudo que me falta em você.
veronica eugenio
Enviado por veronica eugenio em 22/06/2005
Código do texto: T26722

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
veronica eugenio
Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo - Brasil, 55 anos
39 textos (2379 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 12:24)
veronica eugenio