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Num bar.

Infeliz é quem precisa de um gole de café para acordar.

Eu vivo a tomar xícaras.

Abro os olhos e não consigo ver nada. O sono é algo maior que a visão.

O homem que senta ao meu lado usa uns óculos escuros estranhos e olha para algo que eu não posso distinguir. Quem me pode afirmar que ele algo realmente vê?

O estranho é que enquanto olho-o nada ouço. Tudo ao redor não passa de um zumbido indefinível. Outro reflexo do meu cansaço? Provavelmente.

Tomo um gole de café. A fumaça que dele exala embaça as lentes dos meus óculos. Novamente nada vejo. E por um milésimo de segundo não consigo entender o porquê. Quando tudo à minha volta ressurge, olho para o lado e o homem já não está lá. Peguei-me a perguntar se ele havia sumido. A lógica e a consciência me vieram somente depois, dizendo-me que ele simplesmente havia ido embora.

Na rua carros passam. Observo o céu nublado nessa manhã de setembro. Volto os meus olhos para a xícara. Café espumando de tão quente. Mais um gole e tudo é neblina. Ficar sem ver ao redor por alguns instantes pode parecer ridículo, mas de fato, é aborrecedor. Ouço uma voz, vinda da mesma cadeira que antes o homem ocupara. Uma mulher. Confesso que me assustei. E podem todos os intelectuais me jogarem destroços, julgarem-me estúpido, mas o meu primeiro pensamento foi pensar de onde ela havia surgido. Estupidez perdoável, espero. Olhei para o café e fiquei a mexê-lo com a colher. Acabei ficando sonolento novamente e literalmente cansei-me. Peguei a xícara e a virei de uma vez só.

Só consegui queimar a língua.
TMB
Enviado por TMB em 18/10/2006
Reeditado em 18/10/2006
Código do texto: T267407
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Sobre a autora
TMB
Maceió - Alagoas - Brasil, 25 anos
42 textos (9388 leituras)
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