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Retrato do Brasil

Estive hoje andando lá para as bandas de Vila Nova, bairro importante daqui de Goiânia. Fora levar minha esposa para comprar um sapato numa loja de calçados localizada na Praça Boaventura, antiga Praça da Marreta naquele bairro. Constatei que a cidade naquele setor está bem cuidada e limpinha. Enquanto minha esposa experimentava sapatos dentro da loja, eu do lado de fora observava um amontoado de pessoas naquela praça que me chamara a atenção. Sabendo que minha esposa gasta um “tempinho” para fechar o negócio deixei ela lá com a vendedora e resolvi dar um pulo aonde se encontrava o conglomerado de gente. Cheguei bem perto dessas pessoas, mais ou menos umas 40. Só havia me aproximado porque notara que as pessoas que lá estavam , apesar de mal vestidas, eram pessoas de bem. Havia pessoas de várias faixas etárias, todas desempregadas e a maioria analfabetas, inclusive algumas já sexagenárias. Papeei com algumas delas e descobri que estavam ali vendendo algumas mercadorias de baixo valor, relógios de pulso usados, novos; capas de celulares; máquinas de furar usadas e mais algumas bugigangas para sobreviver. Enquanto não aparecia algum provável comprador, mesmo porquê o dinheiro está sempre escasso, fiquei uns minutos conversando com algumas delas e pude constatar naquela rodinha de bate papo, que algumas mostravam-se afinadas com a próxima eleição para Presidência da República. Ouvi uma dizer que “votaria no Lula por ser ele pobre e que agora, mais experiente, iria criar muitos empregos para o povo”. Outra dizia, “voto no Alckmin porque ele já é rico e não precisa roubar mais, além do que, por ser experiente como governador de São Paulo, iria consertar o Brasil”. Naquele momento, achei até bonito ver a disposição daqueles desempregados, que mesmo atravessando vida difícil, ainda tinham esperança num Brasil melhor, o Brasil de seus sonhos, aliás, de todos nós.

Olho para a loja de calçados e notei que minha esposa já me esperava perto do meu automóvel. Despedi-me deles e fui embora. No caminho para casa, vinha raciocinando, será que em todas as praças das cidades brasileiras têm aquele tipo de desempregados, tentando ganhar algum dinheirinho para sobreviver? Será que não se encontra solução à curto, médio e longo prazo para acabar-se de vez com esta situação que já perdura muitos anos? O que está faltando realmente para o Brasil entrar no trilho do desenvolvimento e melhorar a vida de sua gente com a geração de emprego? A culpa disso tudo seria a má distribuição de renda? Como não encontrei solução para minhas indagações, tomei uma decisão em caráter irrevogável e irretratável, enquanto essa tal de democracia se encontrar em fase de experiência em busca de aperfeiçoamento, como dizem os “entendidos” e permitindo que coisas como as narradas aqui aconteçam, não vou mais votar, vou apenas justificar, justamente para não ter o  encargo de consciência em ter votado em candidato errado que nada tem a ver com o destino da nação.


Amarú Inti Levoselo
Enviado por Amarú Inti Levoselo em 18/10/2006
Reeditado em 18/10/2006
Código do texto: T267649

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Sobre o autor
Amarú Inti Levoselo
Goiânia - Goiás - Brasil, 74 anos
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Amarú Inti Levoselo