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O Simplório

Ele subia a rua, dourada pelo sol das oito da manhã, junto com um amigo que dava a impressão às outras pessoas que também subiam, que era íntimo. Ele dizia: -mulé infeliz sô, pensou que ia me fazê de bobo com aquela fala macia, cheia de manha, dizendo que nunca teve vício nenhum, que foi abandonada e não teve mais ninguém na vida e que agora só queria mesmo era arranjar um home bonito e bom assim que nem eu para ajudar ela a cuidar dos dois fio – e dizia isto com a sua fala fanhosa acompanhada por uma gagueira daquelas de espichar a palavra no final..E continuando: - Eu que num sô bobo nem nada, fiquei encantado com ela, é claro, pois é bonita a danada!
Corri e fui para casa muito feliz e nem podia dormir ou trabaiá direito. Quando chegou o sábado, que eu posso ficar em casa e que custou por demais pra chegar, dei uma geral no meu barraco, tirei umas coisa veia, lavei de cima em baixo, varri e deixei tudo bonito, me aprontei todo legal e no começo da tarde, fui procurá ela, pensando:
Ah meu Pai... é hoje que eu vou trazer ela pra casa!
Fui lá onde ela disse que morava, pra avisá ela que podia ir com os fio, que eles não ia ficar sem teto.
O outro perguntou: - E conseguiu achar o barraco dela?
E ele:- não foi preciso procurar. Quando eu passei no buteco que era bem antes do barraco, ela saiu de lá cambaleando e foi de tropeção pelo caminho afora. Então eu resolvi indagá pro dono do bar e ele disse que era todo dia a mesma coisa e só mudavam os home. Os fio já morava com os parente, tinha um tempão.
Fui até lá, meio sem graça e achei a porta aberta e lá mais pra dentro ela deitada meio torta e do lado de um cara meio morto de pinga também.
Voltei pra casa furioso da vida e não quero nem mais oiá na cara dela.
O amigo - Já pensou se te repete a história?
Ele – Pois é... da outra veiz eu cheguei e achei a minha mulé com um cara do mesmo jeito e como eu não sou bobo nem nada, peguei depressa o meu botijão de gais, que era o que eu tinha, botei nas costa e me mandei. Nem quis levar o meu banquinho que eu tanto gostava e imagino o susto dela quando não viu nem eu, nem o botijão lá. Só o banquinho.
Agora vê se eu ia bancar o bobo outra veiz?
Depois da grande subida, os dois viraram à esquerda para uma nova ladeira. A pessoa que ia mais à frente era uma mulher que seguiu em frente sem olhar para eles. Não quis saber como era a cara da simplicidade. Só Deus e ela, além dos dois, saberiam deste fato verídico que depois resolveu transformá-lo em crônica, sem problemas, pois ninguém sabe mesmo quem é...
Ao passar ao lado da igreja Matriz logo à frente, pediu bênçãos e proteção para ele e refletiu depois: nem precisava, porque Deus olha pelos humildes e de coração puro e esse, sem dúvida alguma, era um deles.




Pássaro Feliz
Enviado por Pássaro Feliz em 20/10/2006
Reeditado em 30/04/2008
Código do texto: T269477
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Pássaro Feliz
Barbacena - Minas Gerais - Brasil
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