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QUANTO Á MIM, NÃO SEI RIR.

Sorumbáticos e pensativo me quedo. Parece que nunca ri. Perdi á muito  qualquer veleidade  em sorrir. Tudo  me parece  tão sem razão , tão sem motivo . Não me lembro  quando dei a última e gostosa gargalhada . Não me agrada cenas  que ao grande povo  parecem hilárias . Antes  coloco-me na pele do incauto , do homem  que irá ser escrachado , ou a mulher que sexisticamente será ridicularizada . Porque rir-se da desgraça alheia?  Mesmo que o adágio romano nos fale de " Ridendo Castigat Mores" , rir  a risada padronizada ? A risada  com hora certa ? Com momento pré- estabelecido?  Rir do politicamente incorreto, quando o certo é ser politicamente incorreto ?  Podemos rir das graças  de uma criança, porque ela é pura , sem vpreconceitos, ou conceitos arranjados. Ela é ela . Nos procura por ser ela mesma sem aguardar  brinquedos ou presentes . Tornamo-nos galhofeiros  dos outros . Vamos rir dos outros, antes  que os outros riem de nos. . Sigamos hipócritas  que não ligam  para nada . Sorriam, gargalhem , explodam em terríveis sorrisos. Virem idiotas  na idiotia completa da Humanidade louca .
Quem sabe, só os loucos saibam  porque riem . Riem de nos , com nossa sapiente ciência, com nosso  moralismo  tão pouco  á pouco, com nossas panças e nossas  mulheres anoréxicas e bulímicas , com nosso  estranho  prazer de rir  ou chorar  por coisa pouca  e esquecer  dos males  insondáveis  da vaidade humana.
Só os loucos são loucos porque decidimos que são loucos, na sanidade  doentia de exames, testes  e cartesianos diagnósticos  da razoabilidade indiscutível . Nos  arvoramos  em julgadores  da sanidade dos outros , como se o Outro  fosse exatamente isso: o Outro, o estranho, o perigo, o rival , o inimigo.
Confesso  que sinto  inveja daqueles que neste mundo maluco  conseguem gargalhar. Sinto medo  por estar  me tornando  assim  arredio  á participar desta corrente  de insanos gargalhadores e de completos homens- autômatos . Sinto perder  o prazer  pelo prazer , sem culpa ou reclamação , como os loucos que frequentam  nossas ruas e avenidas .  
grotius
Enviado por grotius em 27/10/2006
Código do texto: T274606

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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