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EM MEIO À CONFUSÃO...

Já disse anteriormente que não gosto de política, e esta crônica, como a anterior, será certamente uma das poucas que redigirei a propósito do assunto.

Não que vá me meter a falar sobre política. Penso que a maior desgraça que pode acontecer a um ser humano é quando toda a sua ideologia bem intencionada vai pelo ralo quando, ao meter-se na política, as pressões do sistema transformem aquele indivíduo em mais um instrumento da inutilidade no auxílio para sanar os graves e seculares problemas deste país! É trágico! É uma lástima! E imagino que aconteça muito...

Ainda n'outro dia, por exemplo, soube de uma pessoa que, na fase da juventude, nada obstante os seus legendários destemperos, era notadamente puro de alma - mas que, mais tarde, espantosamente acabou se metendo na política! Quase chorei de tristeza; uma dor enorme triturou meu coração; porque penso ser bem pouco provável que a sua pureza d'alma de outras épocas, na hora de correr atrás de seus ideais, tenha resistido a tão pesado e sombrio contexto de perversão qual o que existe na política dos nossos dias!...Mas, já que a esperança é a única que teima, rezo para que não tenha sido assim, para que algo disso tenha nele sobrexistido...

Esta crônica é somente para dizer, após o debate presidencial de ontem, que entendo e compartilho plenamente do estado de espírito de muitos diante do que presenciamos no decorrer do processo eleitoral, e que pode ser resumido desta forma: uma enorme sensação de se ver perdido em meio a CPIs, a pizzas, a corrupção, a números, a estatísticas sem fim, de cuja autenticidade ninguém do povo dispõe da menor chance de avaliar, e talvez que mesmo de entender; partidos, coalisões, farpas, promessas, trocas de insultos, bolsas famílias, PCCs, cobranças, bandeiras, bandeirinhas, santinhos, passeatas, discussões, polêmicas; uma enxurrada de e-mails contra e a favor de um e de outro candidato, contendo dados que, mais uma vez, são de idoneidade indevassável, contribuindo para uma ainda maior perplexidade e confusão na hora de se votar - ou não! Notícias jornalísticas, matérias em revistas claramente tendenciosas, decepções no decorrer do(s) governo(s) anterior(es)...

E isto tudo em meio àquela realidade que persiste, mais palpável para todos, sem a necessidade de crença ou de descrença, ou de averigüação: o desemprego galopante, o estado decrépito da saúde pública, a falência do ensino público, a falta de moradia, o caos nos transportes, os sem teto, os moradores de rua - a insegurança! - a violência, o tráfico de drogas: gangrena aparentemente de avanço irreversível nos nossos tempos!...

Olha, senhor próximo Presidente da República, eleito ou reeleito: diante de toda esta confusão, e de dentro da minha santa ignorância para estes assuntos profundos, eu só tenho a pedir uma coisa ao senhor: contribua, ao menos um pouco, para que eu possa encaminhar os meus filhos adequadamente pelo caminho do estudo e do trabalho, contando com os seus direitos de cidadãos assegurados; e para que eles possam talvez, um dia, andar em plena segurança pelas ruas da minha cidade!...

Os meus, e os filhos de todos os brasileiros!...

Ah! A foto aí em cima pareceu-lhes desconexa com o tema?!
É que esta lagoa chama-se Lagoa da Confusão...Exótico, não?!...
É este panorama silente e pacífico de "confusão" que sonho no mundo do porvir, para a vida dos meus filhos...

Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 28/10/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T275870
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Christina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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