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MULHER INGRATA

     O primeiro foi uma coisa meio estranha: nada de amor de filme, nada de grandes emoções. Mas havia uma bela amizade e um grande respeito. Grande amigo, companheiro. Mas dormir com o amigo é um pouco diferente. Mas casou-se assim mesmo. Convivência boa, o que traduzindo, seria dizer: nada de um tesão tresloucado, mas também nada de briga e desrespeito. Ele era um cavalheiro, educadíssimo e, se não a tratava como rainha também não a tratava ...como nada. Ou seja, ela fizesse o que quisesse, como quisesse, tudo ok. Era sabido e notório que ela não gostava de rosas. Vermelhas, então, nem pensar.
      E você deve estar pensando: "De onde esta maluca foi botar as rosas neste ponto da história?" . Calma, a gente chega lá. O que é quente, um dia esfria. O que já começou morno, dá pra imaginar como ficou. Ela ainda tinha dentro de si toda aquela amizade carinhosa para com ele. Ela ainda tinha toda aquela admiração. Mas paixão, tesão...bem, na verdade nunca houvera. Um dia ela pensara que isso não faria falta. Mas agora parecia fazer. Chegou em casa, soltou a bomba e pediu pra ir embora. No mesmo dia, na parte da tarde, quem nunca lhe dera uma única margarida, manda-lhe dúzias. De rosas vermelhas.
      Chorou a mais não poder. Ele pensou: "Emoção de receber tantas flores depois de todos estes anos". Não. De dor. Ela não viu as flores. Para ela, ali só tinha espinho. Arrumou as malas e saiu. Sem as rosas. Ele não entendeu nada. Mulher ingrata.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/06/2005
Código do texto: T27632

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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