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EU SOU O ROSTO E A BOFETADA / EU SOU A VÍTIMA E O ALGOZ

Dilacerados somos todos, meros dejetos  e restos de algum ou de alguem.Paredes brancas onde se escrevem graffittis ou pichações  de nossos sonhos alheios . O vento frio  nâo nos  causa mais frio  do que a ponta aguda da faca cortando o olho  de onde não sai  sangue, e sim o pus suporoso e quente de misamas e silenciosas queixas .Supõe o leitor, no entanto , que as palavras aqui escritas  são desconexas, reverberações  de um cérebro  cansado .Talvez o sejam, talvez não ! A irônica risada do homem sem dente, a canção cantada pelo coro grgo que não  sabe do que se trata é a figuração  mais acertada da dilaceração  resultante de quem já esta  usando bens em quantidade tal  que ultrapassa  a possibilidade da Terra. Fezes , cloaca , sujeira, denúncia .Ninguem se apressa á julgar os verdadeiros responsaveis  pela condenação  das futuras gerações. E eu no meio disso?  Sou o rosto e a bofetada , sou a vítima e o algoz .Me comprazo em falar  dos perigos, dos dramas,  que esperam meus filhos, meus netos, que nunca terei. Faço isso  sentado confortavelmente em uma cadeira de plástico de espaldar alto , reclinada , que ainda estará ali ( ou  em um depósito de lixo ) ou na casa de um prestamista ) mesmo depois que me corpo transformar em osso, em pó, em partículas . Depois que tenha  de ceder meu lugar  á outros morrentes , familiares  ou não  e vá repousar em qualquer ossário. Que como carne cozida em micro ondas, que bebe refrigerante, como  açicar transformado em sorvete e me  deito sozinho  coberto  por peças de algodão , poliester , coutro ou lã  que foram fabricados industrializados  naquilo que é a nossa mortalha de todos os dias .É facil  e prático ser  a cara  limpa do usurpador , que não teme a raiva, porque a raiva vem e vai ,É  comodo ser  o rosto limpo e sem  mácula que reza  e deixa de dar um óbulo ao necessitado, e se transformar  na dpída  bofetada de escárnio, na cusparada nojenta no rosto do Mundo. Sou o rosto e a bofetada / Sou o algoz e a vítima.
grotius
Enviado por grotius em 29/10/2006
Código do texto: T276352

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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