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MULHER INGRATA III - CAMINHOS DE SOL?

    Vocês aí, com uma certa quilometragem, vão entender o que direi: nada é mais terrivelmente teimoso do que uma mulher apaixonada. Exceto uma coisa: uma mulher que só conheceu esta emoção muito tarde na vida. E a Indecisa Madre Tereza era exatamente isso.
     Passou por muitos e muitos homens incólume: gostar, sim; admirar, quase sempre; apaixonar-se..."Ah, tenha dó. Isso é coisa de novela."  Só que a vida imita a arte. Ou será o contrário? Também não vem ao caso. E mesmo com as nuvens do Medo, ela ainda teimava que tinha o sol. E às vezes tinha mesmo. Mas o Sol também temia sua própria Luz. Na verdade, fazia um certo empenho em mantê-la apagada. E apagava a dela também.
      Madre Tereza rapidamente encarregava-se de dizer-lhe :"Foi algo que você fez" ou a variante, igualmente eficiente, "Foi algo que você não fez".
E ela seguia, ao som da Madre Tereza, olhando todos os trechos do caminho para ver o que era permitido e o que não era. E perdeu-se. Começou perdendo o caminho, foi perdendo o viço e a vontade e, finalmente, como se espera de alguém que buscou outro antes de ter se encontrado por completo, a Ingrata perdeu-se de si mesma.
      No espelho, lá estavam todas: A Esposa, A Mãe, A Senhora dona Fulana. Curiosamente, não estava Ela. Certamente, engolida pelo espelho, Ela desaparecera. Buscava nos olhos de sol Aquela que não encontrava no espelho. Mas ele também não a via há muito tempo. Talvez sentisse saudade da Borboleta. Mas isso era algo que não combinava com a Sua Mulher. Nada de borboletas. Nada de voar por aí. Não fica bem.
     Junto com o Medo, ela conhecia agora a Acomodação. Como eu disse no começo, gente apaixonada é Teimosa. Nossa Madre Tereza-Rogai-por-nós era teimosa por natureza. E apaixonada como queria crer que ainda estivesse, seguia lendo todos os Manuais: Como alegrar seu marido emburrado quando você não tem nada com isso?; Como assumir uma culpa que não tenho e acabar com uma briga em dez segundos? e, principalmente, Como não ser novamente um fracasso no casamento. Este lido e engolido diversas vezes.
       O Sol aparecia de vez em quando. E ela festejava. Não sabia que sol demais faz um mal danado. Não sabia que ressecava a pele. Inclusive a da alma.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 25/06/2005
Reeditado em 25/06/2005
Código do texto: T27763

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai