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SOLITÁRIO

Deitado  em uma cama de isopor , em plena cidade , no inicio da tarde , eu vi um homem. Barbado, não muito sujo, abandonado. O Sol parecia não ter importância para ele. Não parecia importuna-lo batendo diretamente em seu rosto. Parecia estar morto ou desmaiado .Não se percebia sequer  a respiração  calma e compassada .Dormia.Possivelmente sonhava . No chão de cimento  de um jardim qualquer , protegido do vento  pela parede de pedras , braço nos olhos, sonhava. Sem dúvida sonhava como sonham os sedentos, os famintos, os despossuidos , aqueles que no linguajar culto  são chamados sonoramente como " clochards" ou " homeless" , e que em terras  menos dadas  a estas firulas semânticas  são conhecidos simplesmente  por vagabundos, desocupados , mendigos. O  corpo fino, a barba crescida, negra de poucos fios brancos  pode nos dizer seu sexo, sua raça sua idade . Não nos dirá sua vida , apetites, esperanças , fantasias .Quem sabe um dia alguem  dividiu  com ele sua vida , solitário assim vive e sempre viveu. Quem sabe era casado, teve filhos. Mas parece que isso não mais lhe faz falta. Quem sabe sonhe com a mítica Cocanha, ou em seu o maestro  da maior orquestra do Mundo. Ou então  o peripatético  pobretão profeta, o mendigo filósofo , o andante desta cidade que conhece como ninguem, o andante que ninguem nota . O deambulante que faz parte do cenário , a cor local  que só importa á Polícia, ao Serviço Social , aosd politicos  que vivem da pobreza  alheia , em escritórios  luxuosos com platurosas secretárias . Dorme quieto  e sonhador o mendigo, sem notar o som das trompas  anunciando o fim do Mundo.  
grotius
Enviado por grotius em 30/10/2006
Código do texto: T277805

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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