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...uma prosa, um papo-cabeça...

Olhos nos olhos. De repente eles se encontraram no meio da multidão e as mãos se juntaram, os lábios se tocaram e ninguém mais pode fazer nada para separá-los. O que Deus uniu, o homem não separa, dizia o padre na capelinha do Bairro San Cristóvan, dois meses depois do encontro casual.

De short e camiseta verde, sentado no sofá no domingo à tarde, ele vivia a vida a dois. Ela, de camisola preta e decotada passeava em frente ao aparelho de tv ligado no joguinho de futebol Palmeiras x Corinthians. A cada passo dela, os mesmos olhos que a desejam ver ao longo daqueles encontros casuais, apenas queriam que fosse ainda mais magra e mais baixa, podendo assim ver os 22 homens correndo atrás de uma bola, como pensava ela nos momento de fúria.

Na segunda-feira, ela levantou cedo, tomou banho, o café e saiu. Nenhuma palavra pronunciada, nenhum olhar encontrado. A porta da cozinha bateu, os pneus do carro fizeram barulho e ele não entendeu nada. – Deixa prá lá, deve ser tpm!, argumentava para si mesmo.

À noite, ele queria sexo. Ela, amor no dia anterior. Dor de cabeça, enxaqueca terrível, vira-vira na cama, os rostos para lados opostos: os dois acordados a madrugada inteira. De manhã, ele levantou cedo, bateu as portas com força, não comeu o mamão que ela havia preparado e foi trabalhar. – Deve ser a reunião feedback de logo mais com os funcionários, respondia como um mantra para si mesma.

Na hora do jantar, a gata de estimação queria colo dela e ração dele. Os dois tiveram de se olhar, as mãos se encontraram entre o pêlo farto de Tatá, que fazia do corpo uma trança em volta das pernas de ambos.

-A tpm passou? perguntou ele.

-Tem jogo hoje de novo? indagou ela.

Como em um toque de mágica, ou pela varinha de condão da fadinha Tatá, os dois se olharam e trocaram as palavras certas, depois da passagem de nove intermináveis dias. Ele descobriu que a tpm tinha vindo e ido há três semanas e não era assim tão perigoso, bastava abraça-la e exemplificar a beleza da “baixinha”. Ela percebeu que durante o futebol podia vestir um short e uma camiseta e deitar no colo do “xuxuzinho”, era só não passar na frente da tv e ganhava até beijos na hora do intervalo.

(Kelly Erdmann - 30/10/06)
Kelly Erdmann
Enviado por Kelly Erdmann em 31/10/2006
Reeditado em 15/11/2006
Código do texto: T278842
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Sobre a autora
Kelly Erdmann
Jaraguá do Sul - Santa Catarina - Brasil, 33 anos
10 textos (281 leituras)
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Kelly Erdmann