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AMAR É MORRER ( paradoxo)






Malditos!!! Malditos são os jovens! Tolos. Todos eles são tolos, estúpidos e idiotas! O que eles pensam ser, acham que são deuses? Eles, na farta ignorância imaginam que tudo podem manipular, pensam que a vida é fácil e que nada, nada mesmo, além dos seus sonhos é a pura realidade? Estúpidos... Todos eles são malditos que acreditam em tudo. Que crêem que a vida é feita de sonhos e que o mundo está em suas mãos. Todos eles se acham donos da verdade. Acreditam que o amor é algo palpável e que até mesmo pode manipular algo não existente. Só que eles se esquecem que também já fui jovem; eles não sabem que o amor é uma armadilha da vida pra ludibriar os insanos como eles.
O homem que está a praguejar tem entre os dedos uma pequena guimba de cigarro ainda acesa sendo consumida lentamente e que quase queima seus longos dedos de unhas amareladas. O misero levantou-se da velha e desconfortável cadeira. Se a lâmpada daquela minúscula sala não estivesse com seu filamento queimado, daria pra ver sua face enrugada e tez franzida como se algo de muito grave lhe importunasse. O mesmo foi até a janela. A única janela existente naquele habitáculo onde depois de abri-la, jogou à distancia a pequena parte do cigarro que caiu direto no esgoto. Novamente a janela foi manipulada e deixou um ranger ensurdecedor aos tímpanos do homem que nem um pouco se sentiu incomodado pelo insuportável barulho de dobradiça sem lubrificação.
Depois de abrir uma velha geladeira que continha algumas frutas e legumes murchos, mirou-os por alguns segundos, cerrou a porta do móvel sem mesmo tocar o conteúdo, fasta-se e com suas tremulas mãos de unhas amareladas, tenta abrir a carteira de cigarro que esta no velho bolso da surrada calca. Acende um cigarro e  suga-o com volúpia e vai ao encontro mais uma vez da velha cadeira onde quase senta-se a fim de iniciar, mesmo na penumbra, sugar de grafite numa folha de um fino caderno onde estava escrito algumas frases mal traçadas e onde podia apenas ler Tolos Jovens.
Quando começou novamente esbravejar...
O que pensam vocês sobre o Amar, sobre Amor, sentimento impapavel, infame e que alem de ser apenas imaginário faz sofrer (Interrogação) .
No minuto de reflexão, mesmo na penumbra da sala ele abandona a cadeira, e começa a olhar em direcao de uma velha cristaleira. Abre o vidro e retira um envelope e dentro deste, retira uma desbotada folha de celulose. O seu cuidado foi de tal forma, que mais parecia proteger um raro cristal. Não que fosse pela penumbra da sala pois, mas a realidade era que o objeto em suas mãos não passava de um fosco e desbotado papel que outrora imagina-se, daria pra perceber tratar-se de uma fotografia que o tempo se encarregara de desbotá-la de tal forma que seria quase impossível determinar se havia pessoas, ou apenas uma pessoa alterando a densidade daquela celulose. Morosamente, e cuidadosamente, ele desembrulhou com o  cuidado de quem protege um frágil filhote de pássaro ainda num ninho, ele, antes de se aperceber que seus olhos lacrimejariam, pronunciou, tropegamente, o nome de um alguém, pronunciou o nome de uma mulher, e as frases que saiam dos seus lábios ganhavam doçura e harmonia... Lena, minha querida, amada, adorada e inesquecível Lena... POR QUE TU PARTISTES TÃO CEDO DA MINHA VIDA?



 Este trabalho está registrado na Biblioteca Nacional-RJ
carlos Carregoza
Enviado por carlos Carregoza em 01/11/2006
Código do texto: T279197
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Sobre o autor
carlos Carregoza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
102 textos (5964 leituras)
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carlos Carregoza